9. a proposição: dois tipos diferentes quanto à origem do valor que carregam

9. a proposição: dois tipos diferentes quanto à origem interna ou externa à linguagem, do valor que carregam

O fenômeno ‘operações’ (em qualquer área): visões com duas abrangências muito diferentes dependendo da leitura que fazemos.

As duas possibilidades de inserção do ponto de início da leitura do fenômeno ‘operações’ – de qualquer tipo – e a análise das diferentes origens do valor carregado pelas proposições para as representações em função da inserção do ponto de início de leitura de ‘operações’; 

Duas visões, duas leituras do fenômeno ‘operações’:
sob o pensamento clássico, o de antes de 1775; (seta amarela)
sob o pensamento moderno, o de depois de 1825 (seta vermelha)
com duas amplitudes – duas abrangências muito diferentes

Note-se que as condições para a ocorrência da troca – a existência simultânea dos dois objetos de troca, o que é dado e o que é recebido – são satisfeitas em duas situações:

  • 1. no pensamento clássico pelo posicionamento do ponto de início de leitura sob essa condição, quer dizer, a existência prévia do que é dado e do que é recebido;
  • 2. no pensamento moderno, pela satisfação dessa pré-condição no início do Instanciamento da representação, porém com a condição da execução anterior da Construção da representação, também incluída no escopo da operação. 

Nos pontos marcados por setas amarelas para baixo (1) e (2) as pré-condições para a ocorrência da troca são dadas, qualquer que seja a estrutura de pensamento – clássico ou moderno – segundo o pensamento de Michel Foucault.

O que não muda entre essas duas possibilidades

A proposição como bloco construtivo padrão fundamental e genérico para construção de representações e suas duas possibilidades de carregamento de valor, quanto às respectivas origens

A proposição é para a linguagem
o que a representação é
para o pensamento:
sua forma, ao mesmo tempo
mais geral e mais elementar,
porquanto, desde que a decomponhamos, não reencontraremos mais o discurso,
mas seus elementos
como tantos materiais dispersos.

As palavras e as coisas:
uma arqueologia das ciências humanas;
Capítulo IV  – Falar;
tópico III – Teoria do verbo
Michel Foucault 

(…) Em outras palavras,
para que, numa troca,
uma coisa possa representar outra,
é preciso que elas existam
já carregadas de valor;
e, contudo,
o valor só existe
no interior da representação

As palavras e as coisas:
uma arqueologia das ciências humanas;
Capítulo VI – Trocar;
V. A formação do valor
Michel Foucault 

O que sim muda entre essas duas possibilidades

A origem do valor carregado pelo veículo de carregamento de valor na representação: a proposição, sempre, porém em linguagens essencialmente diferentes e representações com origens de valor distintas.

“Valer, para o pensamento clássico,
é primeiramente valer alguma coisa,
poder substituir essa coisa num processo de troca.

A moeda só foi inventada,
os preços só foram fixados e só se modificam
na medida em que essa troca existe.

Ora, a troca é um fenômeno simples
apenas na aparência.

Com efeito, só se troca numa permuta,
quando cada um dos dois parceiros
reconhece um valor
para aquilo que o outro possui.

Num sentido, é preciso, pois,
que as coisas permutáveis,
com seu valor próprio,
existam antecipadamente nas mãos de cada um,
para que a dupla cessão e a dupla aquisição
finalmente se produzam.

Mas, por outro lado,

  • o que cada um come e bebe,
    aquilo de que precisa para viver
    não tem valor
    enquanto não o cede;
  • e aquilo de que não tem necessidade
    é igualmente desprovido de valor
    enquanto não for usado
    para adquirir alguma coisa de que necessite.

Em outras palavras,
para que, numa troca,
uma coisa possa representar outra,
é preciso que elas existam
já carregadas de valor;
e, contudo,
o valor só existe
no interior da representação

  • (atual [troca imediata]
  • ou possível [permutabilidade]),

isto é, no interior

  1. da troca
    [representação existente]
  2. ou da permutabilidade
    [representação possível]
    .

As palavras e as coisas:
uma arqueologia das ciências humanas;
Capítulo VI – Trocar;
V. A formação do valor
Michel Foucault 

O funcionamento da troca em cada uma das duas possibilidades de leitura do fenômeno ‘operação’: no ato mesmo da troca; ou anterior à troca, na criação das condições de troca

“Daí duas possibilidades simultâneas de leitura:

  1. leitura já dadas as condições de troca;
  2. leitura na permutabilidade, isto é na criação de condições de troca

1 uma analisa o valor
no ato mesmo da troca,
no ponto de cruzamento
entre o dado e o recebido;

  • A primeira dessas duas leituras corresponde a uma análise que coloca e encerra
    • toda a essência da linguagem no interior da proposição;

3 no primeiro caso, com efeito, a linguagem encontra seu lugar de possibilidade numa atribuição assegurada pelo verbo – isto é, por esse elemento da linguagem em recuo relativamente a todas as palavras mas que as reporta umas às outras; o verbo, tornando possíveis todas as palavras da linguagem a partir de seu liame proposicional, corresponde à troca que funda, como um ato mais primitivo que os outros, o valor das coisas trocadas e o preço pelo qual são cedidas;

2 outra analisa-o
como anterior à troca
e como condição primeira
para que esta possa ocorrer.

  • a outra, a uma análise que descobre essa mesma essência da linguagem do lado das
    • designações primitivas
    • linguagem de ação ou raiz;

4 a outra forma de análise, a linguagem está enraizada 

fora de si mesma e como que

    • na natureza, ou nas   
    • analogias das coisas;

a raiz, o primeiro grito que dera nascimento às palavras antes mesmo que a linguagem tivesse nascido, corresponde à formação imediata do valor, antes da troca e das medidas recíprocas da necessidade.”

As palavras e as coisas:
uma arqueologia das ciências humanas;
Capítulo VI – Trocar;
V. A formação do valor
Michel Foucault 

Esta segunda leitura para ‘operações’
– que orienta a análise de valor
desde antes do momento da troca -,
não é possível sem a presença do homem
na estrutura dos modelos.

Isso fica bastante claro com a descrição da forma de reflexão que se instaura em nossa cultura depois da descontinuidade epistemológica de 1775-1825

Esses dois pontos de inserção da leitura da operação de troca
mostrados nos modelos de operações

Colocando o ponto de inserção de leitura do fenômeno ‘operações’ antes da existência dos objetos envolvidos na troca, ocorre uma portentosa ampliação no escopo da operação – de qualquer natureza -, incorporando toda a etapa de construção de representação nova. Veja isso aqui.

8. Os dois conceitos para o tempo, em função do segmento do espectro de modelos e do tipo de operação

8. Os dois conceitos para o tempo, em função do segmento do espectro de modelos e do tipo de operação em curso

Aquém do objeto

formulação sim reversível
e
instanciamento da representação
deus Chronos

pensamento clássico, o de antes de 1775
tempo calendário no sistema Input-Output
operação de instanciamento de representação anteriormente formulada

Diante do objeto

formulação não reversível
e construção da representação nova
deus Kairós 

pensamento moderno, o de depois de 1825
tempo absoluto sistema absoluto
no caminho da Construção da representação

também Diante do objeto

formulação sim reversível
 e instanciamento da representação
deus Chronos

pensamento moderno, o de depois de 1825
tempo relativo, sistema relativo ou absoluto,
no caminho do Instanciamento da representação

Aquém do objeto

qualquer operação

Nota: a existência precede as distinções feitas na operação.

Tempo na formulação e no instanciamento da representação:

  • formulação reversível durante a formulação;
  • tempo calendário, ou tempo relativo no sentido de que
    • dada a inserção calendário de um evento (i) ou (f),
    • a posição calendário do outro evento (f) ou (i) pode ser calculada com as propriedades aparentes disponíveis antes e depois da operação;
  • irreversibilidades somente na etapa de instanciamento da representação

Não há nada que possa ser afirmado, posto, disposto e repartido no espaço do saber para eventuais conhecimentos e ciências possíveis e assim não se pode falar em ‘modo de ser fundamental’ do que quer que seja. 

Assim, no pensamento clássico, não é possível adotar esse conceito ‘modo de ser fundamental das empiricidades’ como elemento ordenador da história, que é compreendida como sucessão de fatos assim como se sucedem.

Diante do objeto

caminho da Construção da representação
Nota: a existência se constitui com as distinções feitas na operação

Durante essa operação a empiricidade objeto sim, muda seu ‘modo de ser fundamental’ nesse domínio e ambiente em decorrência da operação.

Tempo no caminho da Construção da representação, durante a formulação da representação:

  • formulação irreversível durante a formulação;
  • tempo absoluto no sentido de que
    • dada a inserção calendário de um evento (i) ou (f)
    • não é possível o cálculo da inserção calendário de outro evento (f) ou (i) a partir da inserção calendário do evento anterior em virtude da não disponibilidade das propriedades antes/depois da operação;
  •  irreversibilidades tanto na formulação da operação quanto no seu instanciamento da representação.

A empiricidade objeto da operação tem um novo ‘modo de ser fundamental’, isto é, pode ser ‘afirmada, posta, disposta e repartida no espaço do saber para eventuais conhecimentos e ciências possíveis’.

Tomando o ‘modo de ser fundamental’ das empiricidades como elemento ordenador da história, durante esse tipo de operações sim, faz-se história.

 também Diante do objeto

caminho do Instanciamento da representação
Nota: a existência volta a preceder as distinções feitas na operação.
 

Durante essa operação a empiricidade objeto não muda seu ‘modo de ser fundamental’ nesse domínio e ambiente em decorrência da operação.

Tempo  no caminho do Instanciamento da representação na formulação da operação de instanciamento e na própria operação de instanciamento de representação anteriormente existente:

  • formulação volta a ser reversível;
  • tempo volta a ser tempo calendário, ou tempo relativo;
  • irreversibilidades no caminho do Instanciamento da representação ocorrem em decorrência do desencadeamento dos elementos de suporte na experiência à Forma de produção.

A empiricidade objeto da operação tem exatamente o mesmo ‘modo de ser fundamental’ com que foi recuperada do repositório, isto é, pode ser ‘afirmada, posta, disposta e repartida no espaço do saber para eventuais conhecimentos e ciências possíveis’ exatamente da mesma forma como havia sido acrescentada ao repositório.

Tomando o ‘modo de ser fundamental’ das empiricidades como elemento ordenador da história, durante esse tipo de operações não se faz história.

Inspiração e roteiro, e um pouco de história deste trabalho

Inspiração e roteiro, e um pouco de história deste trabalho

Influências e inspirações:

  • a influência de Vilém Flusser no livro ‘Filosofia da caixa preta’: uso das funções reversíveis Imaginação e Conceituação para navegar entre textos – imagens – e ocorrências espacio-temporais; as imagens tradicionais e as imagens técnicas, classes de abstrações que usamos cotidianamente;
  • a sugestão de Humberto Maturana no livro ‘De máquinas e de seres vivos’: objeções e propostas de mudança no fazer dos pesquisadores em IA do MIT do final dos anos ’50, e aparentemente uma alteração de rota;
  • a influência especialmente muito forte de Michel Foucault no livro ‘As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciências humanas’:
    a descoberta de duas pedras de tropeço durante seu trabalho nesse livro, a saber:
    • uma impossibilidade de fundar as sínteses no espaço da representação ainda presente no nosso pensamento cotidiano;
    • e uma obrigação de abrir o campo transcendental da subjetividade constituindo, para além do objeto, os quase-transcendentais Vida(Biologia), Trabalho(Economia) e Linguagem(Filologia).

a plataforma adotada para dar suporte às figuras ou imagens correspondentes aos conceitos encontrados no livro ‘As palavras e as coisas’ será

  • a Figura 2 – Diagrama ontológico; do tópico Reflexões epistemológicas, do livro Cognição, Ciência e Vida cotidiana; 

ou ainda essencialmente a mesma figura, com as observações sobre diferenças

  • a Figura 2 – O Explicar e a Experiência; do Cap. Linguagem, Emoções e Ética nos Afazeres Políticos, do livro Emoções e Linguagem na Educação e na Política;

ambos esses dois livros de Humberto Maturana, 

Vamos utilizar essa figura como plataforma para o trânsito Texto – Imagem – e Ocorrências espacio-temporais seguindo a orientação de Flusser. E fizemos alterações e complementações nela, o que pode ser visto em outra animação neste trabalho.

0.0. As duas leituras do fenômeno ‘operações’ e respectivas possibilidades de análise de valor

O fenômeno ‘operações’ (em qualquer área): visões com duas abrangências muito diferentes dependendo da leitura que fazemos.

As duas possibilidades de inserção do ponto de início da leitura do fenômeno ‘operações’ – de qualquer tipo – e a análise das diferentes origens do valor carregado pelas proposições para as representações em função da inserção do ponto de início de leitura de ‘operações’; 

Duas visões, duas leituras do fenômeno 'operações':
sob o pensamento clássico, o de antes de 1775; (seta amarela)
sob o pensamento moderno, o de depois de 1825 (seta vermelha)
com duas amplitudes - duas abrangências muito diferentes

Note-se que as condições para a ocorrência da troca – a existência simultânea dos dois objetos de troca, o que é dado e o que é recebido – são satisfeitas em duas situações:

  • 1. no pensamento clássico pelo posicionamento do ponto de início de leitura sob essa condição, quer dizer, a existência prévia do que é dado e do que é recebido;
  • 2. no pensamento moderno, pela satisfação dessa pré-condição no início do Instanciamento da representação, porém com a condição da execução anterior da Construção da representação, também incluída no escopo da operação. 

Nos pontos marcados por setas amarelas para baixo (1) e (2) as pré-condições para a ocorrência da troca são dadas, qualquer que seja a estrutura de pensamento – clássico ou moderno – segundo o pensamento de Michel Foucault.

O que não muda entre essas duas possibilidades

A proposição como bloco construtivo padrão fundamental e genérico para construção de representações e suas duas possibilidades de carregamento de valor, quanto às respectivas origens

A proposição é para a linguagem
o que a representação é
para o pensamento:
sua forma, ao mesmo tempo
mais geral e mais elementar,
porquanto, desde que a decomponhamos, não reencontraremos mais o discurso,
mas seus elementos
como tantos materiais dispersos.

As palavras e as coisas:
uma arqueologia das ciências humanas;
Capítulo IV  – Falar;
tópico III – Teoria do verbo
Michel Foucault 

(…) Em outras palavras,
para que, numa troca,
uma coisa possa representar outra,
é preciso que elas existam
já carregadas de valor;
e, contudo,
o valor só existe
no interior da representação

As palavras e as coisas:
uma arqueologia das ciências humanas;
Capítulo VI – Trocar;
V. A formação do valor
Michel Foucault 

O que sim muda entre essas duas possibilidades

A origem do valor carregado pelo veículo de carregamento de valor na representação: a proposição, sempre, porém em linguagens essencialmente diferentes e representações com origens de valor distintas.

“Valer, para o pensamento clássico,
é primeiramente valer alguma coisa,
poder substituir essa coisa num processo de troca.

A moeda só foi inventada,
os preços só foram fixados e só se modificam
na medida em que essa troca existe.

Ora, a troca é um fenômeno simples
apenas na aparência.

Com efeito, só se troca numa permuta,
quando cada um dos dois parceiros
reconhece um valor
para aquilo que o outro possui.

Num sentido, é preciso, pois,
que as coisas permutáveis,
com seu valor próprio,
existam antecipadamente nas mãos de cada um,
para que a dupla cessão e a dupla aquisição
finalmente se produzam.

Mas, por outro lado,

  • o que cada um come e bebe,
    aquilo de que precisa para viver
    não tem valor
    enquanto não o cede;
  • e aquilo de que não tem necessidade
    é igualmente desprovido de valor
    enquanto não for usado
    para adquirir alguma coisa de que necessite.

Em outras palavras,
para que, numa troca,
uma coisa possa representar outra,
é preciso que elas existam
já carregadas de valor;
e, contudo,
o valor só existe
no interior da representação

  • (atual [troca imediata]
  • ou possível [permutabilidade]),

isto é, no interior

  1. da troca
    [representação existente]
  2. ou da permutabilidade
    [representação possível]
    .

As palavras e as coisas:
uma arqueologia das ciências humanas;
Capítulo VI – Trocar;
V. A formação do valor
Michel Foucault 

“Daí duas possibilidades simultâneas de leitura:

  1. leitura já dadas as condições de troca;
  2. leitura na permutabilidade, isto é na criação de condições de troca

1 uma analisa o valor
no ato mesmo da troca,
no ponto de cruzamento
entre o dado e o recebido;

  • A primeira dessas duas leituras corresponde a uma análise que coloca e encerra
    • toda a essência da linguagem no interior da proposição;

3 no primeiro caso, com efeito, a linguagem encontra seu lugar de possibilidade numa atribuição assegurada pelo verbo – isto é, por esse elemento da linguagem em recuo relativamente a todas as palavras mas que as reporta umas às outras; o verbo, tornando possíveis todas as palavras da linguagem a partir de seu liame proposicional, corresponde à troca que funda, como um ato mais primitivo que os outros, o valor das coisas trocadas e o preço pelo qual são cedidas;

2 outra analisa-o
como anterior à troca
e como condição primeira
para que esta possa ocorrer.

  • a outra, a uma análise que descobre essa mesma essência da linguagem do lado das
    • designações primitivas
    • linguagem de ação ou raiz;

4 a outra forma de análise, a linguagem está enraizada 

fora de si mesma e como que

    • na natureza, ou nas   
    • analogias das coisas;

a raiz, o primeiro grito que dera nascimento às palavras antes mesmo que a linguagem tivesse nascido, corresponde à formação imediata do valor, antes da troca e das medidas recíprocas da necessidade.”

As palavras e as coisas:
uma arqueologia das ciências humanas;
Capítulo VI – Trocar;
V. A formação do valor
Michel Foucault 

Esses dois pontos de inserção da leitura da operação de troca
mostrados nos modelos de operações

Colocando o ponto de inserção de leitura do fenômeno ‘operações’ antes da existência dos objetos envolvidos na troca, ocorre uma portentosa ampliação no escopo da operação – de qualquer natureza -, incorporando toda a etapa de construção de representação nova. Veja isso aqui.

Lugares onde ocorrem as operações em função do segmento do espectro de modelos

Lugares onde ocorrem as operações em função do segmento ocupado pelo modelo de operações no espectro de modelos

No ‘As palavras e as coisas’ Michel Foucault fala sobre:

  • Lugar de nascimento do que é empírico;
  • Circuito das trocas.

O conceito que permite fazer a diferença entre esses dois lugares nos quais podem ocorrer operações é dada pelo conceito

  • ‘modo de ser fundamental das empiricidades’

entendido como aquilo que permite que elas (as empiricidades) possam ser afirmadas, postas, dispostas e repartidas no espaço do saber para eventuais conhecimentos e ciências possíveis.

A diferença está no ‘modo de ser fundamental’ das empiricidades:

  • no Lugar de nascimento do que é empírico o ‘modo de ser fundamental’ das empiricidades objeto da operação sim muda;
  • no Circuito das trocas o ‘modo de ser fundamental’ da empiricidade objeto da operação ou do pacote de coisas selecionado não muda.

E o Lugar de nascimento do que é empírico só surge na modelagem das operações quando o fenômeno operação é visto a partir de um ponto antes do momento da troca, isto é, em um ponto em que a construção da representação para um dos objetos da troca – por exemplo aquele que é dado em troca – em cujo interior estará o valor se inicia.

Duas visões, duas leituras do fenômeno 'operações':
operação sob o pensamento clássico, o de antes de 1775; (seta amarela)
operação sob o pensamento moderno, o de depois de 1825
(seta vermelha)

A visão das operações no interior do retângulo vermelho corresponde a uma análise do valor desde um ponto anterior à troca; o ponto de inserção “1” vermelho está posto  no instante mesmo em que a representação possível no interior da qual estará o valor ainda não existe e nela será posto valor efetuadas as designações primitivas, usando a linguagem de ação ou raiz.

Tais designações primitivas darão origem, condições de possibilidade e de generalidade dentro de limites à empiricidade objeto da operação cuja representação será construída nessa operação.

E isso exige uma formulação do modelo de operações no qual estará em questão o ser do homem nessa dimensão segundo a qual o pensamento se dirige ao impensado e com ele se articula tendo como resultado essa representação possível. Para isso esse homem terá de desempenhar uma duplicidade de papéis: 

  • raiz e fundamento de toda a positividade; 
  • e elemento do que é empírico.

Isso coloca os modelos feitos com essa possibilidade de leitura e análise respectiva de valor  no segmento do espectro de modelos diante do objeto, e organizados pelo par sujeito-objeto, no perfil de pensamento característico de depois da descontinuidade epistemológica de 1775-1825.

Pensamento clássico
antes de 1775
Circuito das trocas
(Mercado)

Pensamento moderno
depois de 1825
Lugar de nascimento
do que é empírico

Pensamento moderno
depois de 1825
Circuito das trocas
(Mercado)

Circuito das trocas (Mercado)
no interior do qual ocorrem as operações sob o pensamento clássico, o de antes de 1775
Lugar do nascimento do que é empírico no caminho da Construção da representação:
o domínio do Pensamento e da Língua e o domínio do Discurso e da Representação
Circuito das trocas quando no caminho do Instanciamento da representação no domínio do Discurso e da representação

Espectro de modelos

aquém do objeto

diante do objeto

diante do objeto

A operação transcorre inteiramente no interior do espaço denominado Circuito das trocas.

segmento no espectro de modelos

AQUÉM do objeto

Circuito das trocas é o nome dado por Foucault no livro ‘As palavras e as coisas’, para o popular Mercado.

O pressuposto no LE da figura é:

“A existência precede a distinção”

com esse pressuposto tudo é considerado pré-existente e não há a preocupação de construção de representações novas.

A análise de valor neste caso é feita sob a primeira possibilidade de leitura acima mencionada por Foucault.

Durante este tipo de operações o ‘modo de ser fundamental’ das empiricidades objetos da operação – que neste caso não são descritas por suas propriedades originais e constitutivas mas apenas por suas “aparências”,  – não se altera.

Neste caso é preciso que as coisas permutáveis, com seu valor próprio (respectivas representações) existam antecipadamente nas mãos dos parceiros na troca, para que a dupla cessão e a dupla aquisição se produzam.

O princípio de trabalho aqui é o Princípio Monolítico de Trabalho de Adam Smith, de 1776, com um pensamento todo configurado antes da descontinuidade epistemológica de 1775-1825.

Na figura acima ‘Duas visões, duas leituras do fenômeno ‘operações’ o início destas operações pode ocorrer nos dois pontos “1” amarelos.

segmento no espectro de modelos

DIANTE do objeto

Lugar de nascimento do que é empírico é o nome dado por Foucault no livro ‘As palavras e as coisas’ para o espaço em que o ‘modo de ser fundamental’ da empiricidade objeto da operação em curso, se altera.

O pressuposto na figura é:

“A existência se constitui na distinção”

com esse pressuposto a preocupação com a construção de representações para novas empiricidades objeto da operação é implícita.

A análise de valor neste caso é feita sob a segunda possibilidade de leitura acima mencionada por Foucault.

Durante as operações no caminho da construção da representação o ‘modo de ser fundamental’ da empiricidade objeto da operação – que neste caso é descrita por suas propriedades sim-originais e sim-constitutivas resultantes das designações primitivas – linguagem de ação ou raiz.

Neste caso uma das coisas permutáveis (pelo menos) passará a existir no caso do sucesso na operação em curso.

Caso a operação tenha sucesso na construção da representação para a empiricidade objeto então ela poderá ser levada ao Circuito das trocas, ou ao Mercado, no caso de que isso seja conveniente ou desejado, situação na qual passará pelo caminho do Instanciamento da representação, desta feita, fora do Lugar de nascimento do que é empírico.

Na figura acima “Duas visões, duas leituras do fenômeno ‘operações'” a operação de construção da representação tem seu ponto de inicio assinalado pelo “1” vermelho.

A operação acontece em um espaço situado fora do Circuito das trocas pela inexistência de pelo menos uma das coisas permutáveis (vide acima)

A operação passa novamente a ocupar o espaço do Circuito das trocas – Mercado. Toda a alteração de ‘modo de ser fundamental’ que precisava ser feita já foi anteriormente feita, mesmo sob o pensamento moderno.

segmento no espectro de modelos

DIANTE do objeto
mas pode ser tratado como
AQUÉM do objeto

Caso o instanciamento da representação anteriormente construída e incluída no Repositório existente no domínio e ambiente em que as operações ocorrem seja decidido, então:

  • a representação é recuperada do Repositório;
  • a operação de Instanciamento é desencadeada percorrendo o caminho do Instanciamento da representação.

A operação de instanciamento de representação objeto é feita no interior do Circuito das trocas – ou Mercado, em virtude de que nesse tipo de operação não há alteração no ‘modo de ser fundamental’ da empiricidade objeto.

Toda a operação de instanciamento tem lugar no interior do domínio do Discurso e da Representação.

Na figura acima ‘Duas visões, duas leituras do fenômeno ‘operações'” o início destas operações pode ocorrer nos dois pontos “1” amarelos.

Domínios onde ocorrem operações em função do segmento do espectro de modelos

Domínios onde ocorrem as operações em função do segmento do espectro de modelos ao qual pertence um modelo de operações

Pensamento clássico: domínio do Discurso e da Representação

Domínio do Discurso e da Representação
no interior do qual ocorrem as operações
sob o pensamento clássico

O pressuposto no LE da figura é:

“A existência precede a distinção”

com esse pressuposto tudo é considerado pré-existente e não há a preocupação de construção de representações novas.

A operação acontece inteiramente dentro do domínio do Discurso e da Representação uma vez que o ‘modo de ser fundamental’ do que quer que seja, não se altera durante estas operações.

Veja o funcionamento deste tipo de operações sob o pensamento filosófico clássico, o de antes de 1775.

segmento no espectro de modelos

AQUÉM do objeto

Circuito das trocas é o nome dado por Foucault no livro ‘As palavras e as coisas’, para o popular Mercado, o lugar onde o ‘modo de ser fundamental’ das coisas não se altera.

A essência da linguagem é encontrada no interior dela mesma, a linguagem. Todo o valor é carregado diretamente pela proposição. Veja essa discussão feita por Foucault.

A visão de operações neste caso é condicionada à existência prévia do objeto da troca e a análise de valor é posta no ponto de cruzamento entre o que é dado e o que é recebido de volta na troca.

Pensamento moderno, caminho da Construção da representação

esta operação ocorre em dois domínios:

  • domínio do Pensamento e da língua;
  • domínio do Discurso e da Representação.

e em um lugar composto de duas partes, uma de cada um desses domínios, denominado

  • ‘Lugar de nascimento do que é empírico’
Os dois domínios onde ocorrem as operações
sob o pensamento moderno
quando no caminho da Construção da representação:
- o domínio do Pensamento e da Língua
e o domínio do Discurso e da Representação

A operação de construção de representação nova transcorre em dois domínios:

  • o domínio do Pensamento e da Língua
  • e o domínio do Discurso e da Representação

Com o sucesso da operação no caminho da Construção da representação a nova representação construída para a empiricidade objeto desta operação – se aceita pelos envolvidos – será adicionada ao Repositório de proposições explicativas da experiência formuladas de acordo com as regras da língua.

Com essa operação que ocorre no caminho da Construção da representação para a empiricidade objeto, o pensamento como que dá um salto para fora da representação, atingindo um espaço em que ela não tem mais domínio.

segmento no espectro de modelos

DIANTE do objeto

O ‘Lugar de nascimento do que é empírico’ compõe-se de dos blocos cada um em um dos dois domínios o do Pensamento e da Língua e o do Discurso e da Representação. Esse lugar está fora e antes do Circuito das trocas, este último, inteiramente no interior do domínio do Discurso e da Representação.

A essência da linguagem no caminho da Construção da Representação é encontrada fora da própria linguagem, através de:

  • designações primitivas;
  • linguagem de ação ou de uso.

Todo o valor é carregado para a proposição que vai sendo formulada ‘sistemicamente’ obedecendo as regras gramaticais da linguagem que permeia todo o ambiente.

A utilização desses elementos externos à linguagem impõe a visão das operações que englobe toda a operação de construção da nova representação.

A visão das operações no interior do retângulo vermelho corresponde a uma análise do valor desde um ponto anterior à troca; o ponto de inserção “1” vermelho está posto  no instante mesmo em que a representação possível no interior da qual estará o valor ainda não existe e nela será posto valor efetuadas as designações primitivas, usando a linguagem de ação ou raiz.

E isso exige uma formulação do modelo de operações no qual estará em questão o ser do homem nessa dimensão segundo a qual o pensamento se dirige ao impensado e com ele se articula tendo como resultado essa representação possível. Para isso esse homem terá de desempenhar uma duplicidade de papéis: raiz e fundamento de toda a positividade; e elemento do que é empírico.

Pensamento moderno, caminho do Instanciamento da representação

volta a transcorrer no interior do domínio do Discurso e da Representação
depois da operação de construção da representação.

Domínio do Discurso e da Representação
onde ocorrem as operações quando no caminho do Instanciamento da representação
sob o pensamento moderno

A operação de Instanciamento de representação previamente existente no Repositório onde está a linguagem de ação ou de uso (repositório de proposições explicativas da experiência formuladas de acordo com as regras da língua) transcorre em um único domínio:

  • o domínio do Discurso e da Representação.

A operação de instanciamento tem como objeto representação anteriormente desenvolvida e incluída no Repositório. Essa representação anteriormente existente é recuperada do repositório e é o objeto da operação de instanciamento.

Durante essa operação, o modo de ser fundamental dessa empiricidade objeto não muda e permanece aquele que tinha quando a representação foi incluída no Repositório.

Mesmo sob o pensamento moderno, o de depois de 1825, e portanto após a descontinuidade epistemológica atribuída por Foucault ao período entre os anos de 1775 e 1825, a operação de instanciamento da representação objeto volta a acontecer no Circuito das trocas  já que na operação de instanciamento não ocorrem alterações no ‘modo de ser fundamental’ da empiricidade objeto.

A operação de instanciamento de representação existente no Repositório acontece fora do ‘Lugar de nascimento do que é empírico’ e depois de qualquer operação ou parte, que ocorra nesse espaço.

Segmento no espectro de modelos

DIANTE do objeto
mas pode ser tratado como
AQUÉM do objeto

As ‘designações primitivas’ já foram feitas – todas as que foram necessárias – e durante o instanciamento essa fonte externa da essência da linguagem não precisa ser acionada.

7. Os dois espaços gerais do saber em cada segmento do espectro de modelos

Os dois espaços gerais do saber em cada segmento do espectro de modelos

Aquém do objeto

espaço geral do saber sob o pensamento filosófico clássico

Diante do objeto

o Triedro dos saberes
exceto as ciências humanas

 Além do objeto

o espaço interno do Triedro dos saberes
- o habitat das ciências humanas -
mostrando o modelo constituinte composto e comum a todas as Ciências Humanas

os saberes são desenvolvidos a partir de um par de representações pré-existentes: propriedades não-originais e não-constitutivas das coisas (as aparências); e uma das categorias  – escolhida por identidade e semelhança com ‘aparências’ – de um quadro – um sistema de categorias, que dá de antemão todas as possibilidades .

os saberes ocupam qualquer eixo e qualquer face do triedro, chamado por Foucault de Triedro dos saberes – sob a orientação de um dos pares constituintes das ciências que ocupam a região epistemológica fundamental, eixo no qual estão as ciências 

  • da Vida, 
  • do Trabalho 
  • e da Linguagem.

com o respectivo par de modelos constituintes

as Ciências humanas ocupam o espaço interior do Triedro dos saberes, onde todas as ciências humanas têm modelo constituinte comum, que é uma composição dos modelos constituintes das ciências

  • da Vida (Biologia)
    •  função-norma;
  • do Trabalho (Economia)
    • conflito-regra;
  • e da Linguagem (Filologia)
    • significação-sistema
Comentários

    6. Os dois conceitos para História

    Os dois conceitos ordenadores para História

    • História como a coleta das sucessões de fatos tais como se constituíram; e
    • História como o ‘modo de ser fundamental’ das empiricidades, aquilo a partir de que elas são afirmadas, postas, dispostas e repartidas no espaço do saber para eventuais conhecimentos e ciências possíveis.

    O conceito 'modo de ser fundamental' de uma empiricidade objeto e o conceito de História

    “Mas vê-se bem que a História não deve ser aqui entendida como a coleta das sucessões de fatos, tais como se constituíram;
    ela [
    a História] é

    o modo de ser fundamental das empiricidades, aquilo a partir de que elas são 

    • afirmadas, 
    • postas, 
    • dispostas 
    • e repartidas no espaço do saber 
    • para eventuais conhecimentos 
    • e para ciências possíveis.”

    As palavras e as coisas:
    uma arqueologia das ciências humanas;
    Cap. VII – Os limites da representação;
    tópico I – A idade da História

    Os fundamentos do conceito como o elemento ordenador da História

    “Assim como a Ordem no pensamento clássico 

    não era 

    • a harmonia visível das coisas, 
    • seu ajustamento, 
    • sua regularidade 
    • ou sua simetria constatados, 

    mas 

    • o espaço próprio de seu ser 
    • e aquilo que, antes de todo conhecimento efetivo, as estabelecia no saber, 

    assim também a História,
    [no pensamento moderno] a partir do século XIX, define o 

    lugar de nascimento
    do que é empírico,

    lugar onde, 

    • aquém de toda cronologia estabelecida, 
    • ele [o objeto – o que é empírico] assume o ser que lhe é próprio.”

    As palavras e as coisas:
    uma arqueologia das ciências humanas;
    Cap. VII – Os limites da representação;
    tópico I – A idade da História

    Comentários

      Modelos com a estrutura clássica e a moderna de conceitos, por segmento do espectro de modelos

      Modelos construídos com as estruturas clássica e moderna de conceitos,
      por faixa do espectro de modelos com relação ao par sujeito-objeto como elemento organizador

      Abrangência dos diferentes modelos do fenômeno a modelar,
      os possíveis pontos de inserção para o início das operações
      e as duas alternativas de leitura para o que seja trabalho e valor

      Modelos de operações e de organizações originalmente para produção
      construídos sob o perfil de conceitos do pensamento clássico

      Características do pensamento clássico, o de antes de 1775

      Visão do fenômeno 'operações' no modo da Primeira leitura na figura acima, com ponto de inicio de leitura no cruzamento da disponibilidade dos dois objetos envolvidos em uma operação de troca, e abrangendo o (1) no retângulo amarelo.

      segmento do espectro de modelos
      Aquém do objeto

      Funcionamento
      do pensamento
      funcionamento das operações no pensamento clássico
      Modelo de
      Operação de produção
      relação do modelo de operações de produção de E. S. Buffa e o sistema Input-Output
      do LE da figura.
      Modelo da 
      Organização de produção
      Um modelo de organização sob o pensamento clássico, destacando a utilização de múltiplas ordens, ou
      múltiplos sistemas de categorias

      O modelo FEPSC(SIPOC)/Six Sigma e uma comparação visual de estruturas com o modelo de operações sob a estrutura moderna de pensamento.

      Modelo FEPSC(SIPOC), Six Sigma
      A visão Top-Down e Botton-Up

      Aqui, nestes modelos, o elemento central no modelo de operações é Processo, um verbo com o seguinte tratamento:

      “A única coisa que o verbo afirma é a coexistência de duas representações: por exemplo, a do verde e da árvore, a do homem e da existência ou da morte; é por isso que o tempo dos verbos não indica aquele [tempo] em que as coisas existiram no absoluto, mas um sistema relativo de anterioridade ou de simultaneidade das coisas entre si.

      As palavras e as coisas:
      uma arqueologia das ciências humanas;
      Cap. IV – Falar;
      tópico III. A teoria do verbo

      É a estrutura do sistema Input-Output que apresenta essa funcionalidade.

      Modelos de operações e de organizações
      originalmente para sistema contábil-financeiro

      funcionamento das operações no pensamento clássico
      funcionamento das operações
      no pensamento clássico
      Modelo de  Operação
      contábil-financeira
      O modelo de operação
      no sistema contábil-financeiro
      Modelo da  Organização
      ponto de vista financeiro
      a organização no sistema contábil-financeiro

      Visão SSS – Simétrica, Simbiótica e Sinérgica para operações e organizações

      A Visão SSS - Simétrica, Simbiótica e Sinérgica, para operações e organizações composta simultaneamente por:

      a) operações e organização respectiva, que resultam no objeto esperado pelo grupo de interessados na produção 'Clientes', e separadamente, em outro modelo relacionado

      b) operações e organização respectiva, que resultam no instrumento - laboratório, projeto piloto, fábrica - capaz de obter o objeto esperado pelos interessados na produção 'Acionistas'

      na realidade do ambiente em que essas operações ocorrem.

      Modelagem da organização incluindo simultaneamente e estabelecendo relações:

      • a obtenção do objeto esperado como resultado das operações de produção;
        • normalmente o objeto esperado pelo Cliente – ‘produto’.
      • e a obtenção dos instrumentos (laboratório, projeto piloto
        – e depois a unidade de fabricação ou Fábrica)
        • normalmente produzindo o objeto esperado pelo Acionista – ‘lucros’. 

      usando como organizadores os diferentes pares sujeito-objeto. 

      De outro modo, deixando o instrumento de lado, há um toque de magia, ou pelo menos baixa qualidade de informação, no modo como a produção é modelada. 

      Modelagem das operações organizadas pelos pares “sujeito-objeto” sob uma ordem única, a das regras da linguagem, específica para cada objeto no respectivo modelo, tendo como:

      • referencial: a Utopia do objeto ainda inarticulado;
      • princípios organizadores: Analogia e Sucessão;
      • métodos: Análise e Síntese.

      em substituição às modelagens organizadas por ordens escolhidas arbitrariamente – frequentemente mais de uma ordem em um mesmo modelo, que apresentavam:

      • referencial: ordem(ns) aleatoriamente selecionada(s) (sistemas de categorias); 
      • princípios organizadores: Caráter e Similitude; 
      • métodos: Identidade e Semelhança

      Mapa geral das operações na disposição SSS

      Argumento: a modelagem de operações
      organizada pelo par sujeito-objeto

      Construção da estrutura de operações na disposição SSS - Simétrica, Simbiótica e Sinérgica

      Posicionamento do acima descrito no espectro de modelos descrito por Michel Foucault
      no livro As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciências humanas

      aquém do objeto

      diante do objeto

      para além do objeto

      Todos esses modelos de operações estão no segmento “diante do objeto”.

      Cumpre, então, desenvolver os modelos para o próximo segmento, descrito por Michel Foucault, em que habitam os modelos para além do objeto, para os quais Foucault delineia o modelo constituinte.

      Veja isso em outra animação neste trabalho.

      Mapa da atividade semicondutores da Texas Instruments: o mapa da reengenharia; exemplo de modelo existente, e bastante referido na década de 90, em que essa disposição SSS está mencionada, embora não desenvolvida.

      Os dois objetos diferentes, presentes no Mapa da Reengenharia de Michael Hammer
      A simetrização do Mapa da Reengenharia, apenas detalhando elementos já existentes no mapa original de Michael Hammer

      O modelo de operações, ou modelo descritivo da produção do Kanban

      Modelo descritivo da produção do Kanban, mostrando a Proposição formulada
      com ideias ou elementos de imagem integrantes da estrutura do modelo

      Visão das operações no interior de uma organização para o objeto respectivamente de cada operação e o instrumento capaz de obtê-lo, em uma modelagem de operações organizada pelo par sujeito-objeto

      Duas visões, duas leituras do fenômeno 'operações':
      sob o pensamento clássico, o de antes de 1775; (seta amarela)
      sob o pensamento moderno, o de depois de 1825 (seta vermelha)
      com duas amplitudes - abrangências muito diferentes

      A descrição feita por Michel Foucault de duas possibilidades
      de posicionamento do pensamento com relação a valor

      “Valor, para o pensamento clássico, é primeiramente valer alguma coisa, poder substituir essa coisa num processo de troca. A moeda só foi inventada, os preços só foram fixados e só se modificam na medida em que essa troca existe.

      Ora, a troca é um fenômeno simples apenas na aparência.

      Com efeito, só se troca numa permuta, quando cada um dos dois parceiros reconhece um valor para aquilo que o outro possui.

      Num sentido, é preciso, pois, que as coisas permutáveis, com seu valor próprio, existam antecipadamente nas mãos de cada um, para que a dupla cessão e a dupla aquisição finalmente se produzam.

      Mas, por outro lado, o que cada um come e bebe, aquilo de que precisa para viver não tem valor enquanto não o cede; e aquilo de que não tem necessidade é igualmente desprovido de valor enquanto não for usado para adquirir alguma coisa de que necessite.

      Em outras palavras, para que, numa troca, uma coisa possa representar outra, é preciso que elas existam já carregadas de valor; e, contudo, o valor só existe no interior da representação (atual ou possível), isto é, no interior da troca ou da permutabilidade.

      Daí duas possibilidades simultâneas de leitura:

      1. uma analisa o valor no ato mesmo da troca, no ponto de cruzamento entre o dado e o recebido;
      2. outra analisa-o como anterior à troca e como condição primeira para que esta ossa ocorrer.

      Os dois pontos de partida distintos adotados pelo pensamento para análise de valor

      1. a primeira possibilidade de leitura

      A análise de valor no ato mesmo da troca,
      no ponto de cruzamento entre o dado e o recebido

      2. a segunda possibilidade de leitura

      A análise de valor como anterior à troca
      e como condição primeira para que esta possa ocorrer.

      A primeira dessas duas leituras corresponde a uma análise que coloca e encerra toda a essência da linguagem no interior da proposição;

      • no [neste] primeiro caso, com efeito, a linguagem encontra seu lugar de possibilidade numa atribuição assegurada pelo verbo – isto é, por esse elemento da linguagem em recuo relativamente a todas as palavras mas que as reporta umas às outras; o verbo, tomando possíveis todas as palavras da linguagem a partir de seu liame proposicional, corresponde à troca que funda, como um ato mais primitivo que os outros, o valor das coisas trocadas e o preço pelo qual são cedidas;

      a outra, [corresponde] a uma análise que descobre essa mesma essência da linguagem do lado das designações primitivas – linguagem de ação ou raiz(*);

      • na outra [nesta] forma de análise, a linguagem está enraizada fora de si mesma e como que na natureza ou nas analogias das coisas; a raiz, o primeiro grito que dera nascimento às palavras antes mesmo que a linguagem tivesse nascido, corresponde à formação imediata do valor, antes da troca e das medidas recíprocas da necessidade.

      Mapa resumo das operações SSS na organização
      centrada no par sujeito-objeto

      A organização das operações na estrutura SSS

      Mapeamento da disposição SSS das operações em uma organização

      ]
      Caos como um tipo de ordem instável
      em que as sequências temporais são muito complexas e revelam estruturas
      que nos permitem melhor entender o mundo que nos cerca

      Paleta de ideias ou elementos de imagem
      presentes na configuração de pensamento clássico

      Las meninas, Diego Velázquez, 1656; óleo sobre tela; Museu do Prado, Madrid, Espanha

      O ontologia do sistema SIPOC/FEPSC

      Proposição instanciativa: pensamento moderno, caminho da Construção da representação
      designações primitivas inativas; elementos de suporte da Forma de produção existentes e ativados; linguagem de ação ou raiz sim contém a representação para essa empiricidade objeto
      recuperada desde o Repositório para objeto desta operação
      Proposição explicativa: pensamento moderno, caminho da Construção da representação
      designações primitivas ativas; elementos de suporte da Forma de produção existentes; linguagem de ação ou raiz sim contém a representação para essa empiricidade objeto
      Proposição enunciativa: pensamento moderno, caminho da Construção da representação
      designações primitivas ativas; elementos de suporte da Forma de produção inexistentes; linguagem de ação ou raiz não contém a representação para essa empiricidade objeto
      a proposição no pensamento clássico
      ponto de aplicação da leitura de operações no momento da troca
      a proposição no pensamento moderno: ponto de aplicação da leitura de operações antes da troca
      ECA-moderno
      Características do pensamento moderno
      o de depois de 1825
      ECA-Clássico
      Características do pensamento clássico
      o de antes de 1775
      homem no modelo de operações do pensamento clássico, o de antes de 1775,
      considerado como uma das categorias do sistema de categorias,
      como um gênero, ou uma espécie
      os dois obstáculos encontrados por Michel Foucault em seu trabalho
      no livro 'As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciências humanas
      caminho do Instanciamento da representação, com valor já atribuído;
      que tem início novamente no interior do Circuito das trocas
      fontes de valor para a representação em construção: a) designações primitivas; b) linguagem de ação ou taiz.

      Exemplos de modelos de operações e de organizações sem a possibilidade de fundar as sínteses (do objeto das operações) no espaço da representação e com ponto de inserção da análise de operações no cruzamento entre o dado e o recebido na operação de troca

      Funcionamento
      do pensamento
      funcionamento das operações no pensamento clássico
      Modelo de
      Operação de produção
      relação do modelo de operações de produção de E. S. Buffa
      e o sistema Input-Output
      do LE da figura.
      Modelo da 
      Organização de produção
      Um modelo de organização sob o pensamento clássico, destacando a utilização de múltiplas ordens, ou
      múltiplos sistemas de categorias
      Modelo de operações
      e de organização
      Modelo FEPSC(SIPOC), Six Sigma
      Modelo de  Operação
      contábil-financeira
      O modelo de operação
      no sistema contábil-financeiro
      Modelo da  Organização
      ponto de vista financeiro
      a organização no sistema contábil-financeiro

      Exemplos de modelos de operações e de organizações no pensamento moderno, e assim  com a possibilidade de fundar as sínteses (do objeto das operações) no espaço da representação e com ponto de inserção da análise de operações antes do cruzamento entre o dado e o recebido na operação de troca

      Funcionamento
      de operação do pensamento
      O funcionamento das operações no pensamento moderno
      Modelo de
      Operação de produção
      relação entre o modelo descritivo da produção do Kanban e 'essa maneira moderna de conhecer empiricidades'
      Modelo da 
      Organização de produção
      o modelo de organização 'Mapa da atividade semicondutores', da Reengenharia, o modelo de operações do Kanban e o modelo moderno de operações
      O modelo descritivo da produção do Kanban operação de
      instanciamento de representação
      O mapa da atividade semicondutores da Texas Instruments: modelo de organização
      do movimento Reengenharia

      O espaço interior do Triedro dos saberes – habitat das ciências humanas, com modelos situados no espectro de modelos no segmento para além do objeto

      Assim, estes três pares,

      • função e norma,
      • conflito e regra,
      • significação e sistema,

      cobrem, por completo, o domínio inteiro do conhecimento do homem. 

      Mas, qualquer que seja a natureza da análise e o domínio a que ela se aplica, tem-se um critério formal para saber o que é

      • do nível da psicologia,
      • da sociologia
      • ou da análise das linguagens

      é a escolha do modelo fundamental e a posição dos modelos secundários que permitem saber em que momento

      • se “psicologiza” ou se “sociologiza” no estudo das literaturas e dos mitos, em que momento se faz, em psicologia, decifração de textos ou análise sociológica. 

      Mas essa superposição de modelos não é um defeito de método. 

      Só há defeito se os modelos não forem ordenados e explicitamente articulados uns com os outros.

      As palavras e as coisas:
      uma arqueologia das ciências humanas;
      Capítulo X  – As ciências humanas;
       III. Os três modelos
      Michel Foucault 

      O Triedro dos saberes: eixos e faces
      espaço das ciências da Vida, do Trabalho e da Linguagem
      O interior ao Triedro dos saberes
      o espaço das Ciências humanas

      Aquém do objeto

      Não há modelos constituintes nesta faixa do espectro, já que nada é constituído na existência durante as operações;

      • o ponto de inserção na análise do fenômeno ‘operações está no cruzamento entre o que é dado e o que é recebido na operação de troca.

      Na configuração do pensamento pressupõe-se que todas as coisas
      existem desde sempre e para sempre,
      e integram o Universo em uma visão única.

      Existem múltiplas ordens que podem ser arbitrariamente escolhidas para cada operação; e em uma mesma organização podem conviver ordens – como diz Foucault – ligeiramente diferentes. Tem-se inúmeras categorias para cada ordem escolhida, e muitas ordens possíveis de serem selecionadas.

      Nada é constituído na existência como resultado das distinções feitas durante as operações nesta faixa do espectro.

      Diante do objeto

      No eixo epistemológico fundamental – ciências da Vida, do Trabalho e da Linguagem, a modelagem em cada área do saber pode ser feita com um modelo constituinte específico e próprio de cada uma delas:

      • em todas, o ponto de inserção na análise do fenômeno ‘operações’ está antes do cruzamento entre o dado e o recebido, e portanto antes da existência destes.

      No que Foucault chama de ‘Região epistemológica Fundamental’ os Modelos constituintes são compostos por pares constituintes, próprios a cada região do saber ou área do conhecimento em que o modelo é feito:

      • Ciências da vida (Biologia):


        função-norma
        ;

      • Ciências do trabalho (Economia):


        conflito-regra;

      • Ciências da Linguagem (Filologia):

        significação-sistema.

      Além do objeto

      No campo das ciências humanas, o modelo constituinte de qualquer uma delas se unifica. 

      Os Modelos constituintes são compostos por uma combinação dos três pares de modelos constituintes das ciências

      • da Vida-(Biologia),
      • do Trabalho-(Economia)
      • e da Linguagem-(Filologia).

      O Modelo constituinte  de cada uma das Ciências Humanas – é uma combinação – ponderada pelo projetista de modelos.

      O modelo composto é uma combinação dos três pares de modelos constituintes: 

      • Ciências da vida  (Biologia):
        função-norma;

        +
        Ciências do trabalho (Economia):

        conflito-regra;
        +
        Ciências da Linguagem (Filologia):
        significação-sistema.

      Sob ciências humanas como:

      • economia política;
      • sociologia,
      • psicologia e psicanálise

      estão modelos compostos, que são combinações ponderadas dos três pares de modelos constituintes das ciências integrantes do eixo epistemológico fundamental.

      - Lugar do nascimento do que é empírico:
      pensamento moderno - caminho da Construção da representação
      - Circuito das trocas, ou Mercado: pensamento clássico, ou pensamento moderno, sempre no caminho do Instanciamento da representação objeto

      Mercado, ou Circuito das trocas: lugar onde ocorrem operações nas quais o ‘modo de ser fundamental’ das empiricidades não muda.

      Encontra-se 

      • sob o pensamento clássico, o de antes de 1775,
      • e também ocorre no pensamento moderno, o de depois de 1825, no caminho do Instanciamento da representação.

      Lugar do nascimento do que é empírico: lugar onde ocorrem operações nas quais o ‘modo de ser fundamental das empiricidade sim, muda.

      Encontra-se somente sob o pensamento moderno, o de depois de 1825, no caminho da Construção da representação

      O 'Circuito das trocas', ou 'Mercado'
      lugar onde transcorre uma operação sob o pensamento clássico
      O Lugar de nascimento do que é empírico
      lugar onde transcorre a operação de construção de representação nova
      e onde se dá a articulação do pensamento do homem, com o impensado
      O Circuito das trocas
      as chaves horizontais amarelas
      onde ocorrem operações durante as quais o 'modo de ser fundamental'
      não se altera

      no pensamento clássico
      antes de 1775

      no pensamento moderno
      depois de 1825

      questão/pergunta

      2Assim como a Ordem
      no pensamento clássico
      não era
      a harmonia visível
      das coisas,
      seu ajustamento,
      sua regularidade
      ou sua simetria constatados,
      mas o espaço próprio de seu ser
      e aquilo que,
      antes de todo
      conhecimento efetivo,
      as estabelecia no saber,

      1″Mas vê-se bem
      que a História
      não deve ser aqui entendida
      como a coleta das sucessões de fatos, tais como se constituíram;

      ela é
      o modo de ser fundamental
      das empiricidades,

      aquilo a partir de que elas são

      • afirmadas,
      • postas,
      • dispostas
      • e repartidas no espaço do saber para eventuais conhecimentos e para ciências possíveis.

      [veja citação 2 à esquerda]

      A referência ao ‘Circuito das trocas’ – ou Mercado é uma quase unanimidade na literatura especializada filosófica ou técnica.

      Qual será a explicação para isso?

      Por que praticamente ninguém fala no ‘Lugar de nascimento do que é empírico’?

      Seria o caso de haver um desalinhamento filosófico no trabalho desses autores?

      3assim também a História,
      a partir do século XIX,
      define o
      lugar de nascimento
      do que é empírico,
      lugar onde,
      aquém
      de toda cronologia estabelecida,
      ele assume o ser
      que lhe é próprio.

      As palavras e as coisas:
      uma arqueologia das ciências humanas;
      Capítulo VII – Os limites da representação;
      I. A idade da história
      Michel Foucault 

      - Lugar do nascimento do que é empírico:
      pensamento moderno - caminho da Construção da representação
      - Circuito das trocas, ou Mercado: pensamento clássico, ou pensamento moderno, sempre no caminho do Instanciamento da representação objeto

      Mercado, ou Circuito das trocas: lugar onde ocorrem operações nas quais o ‘modo de ser fundamental’ das empiricidades não muda.

      Encontra-se 

      • sob o pensamento clássico, o de antes de 1775,
      • e também ocorre no pensamento moderno, o de depois de 1825, no caminho do Instanciamento da representação.

      Lugar do nascimento do que é empírico: lugar onde ocorrem operações nas quais o ‘modo de ser fundamental das empiricidade sim, muda.

      Encontra-se somente sob o pensamento moderno, o de depois de 1825, no caminho da Construção da representação

      no pensamento clássico
      antes de 1775

      no pensamento moderno
      depois de 1825

      questão/pergunta

      2Assim como a Ordem
      no pensamento clássico
      não era
      a harmonia visível
      das coisas,
      seu ajustamento,
      sua regularidade
      ou sua simetria constatados,
      mas o espaço próprio de seu ser
      e aquilo que,
      antes de todo
      conhecimento efetivo,
      as estabelecia no saber,

      1″Mas vê-se bem
      que a História
      não deve ser aqui entendida
      como a coleta das sucessões de fatos, tais como se constituíram;

      ela é
      o modo de ser fundamental
      das empiricidades,

      aquilo a partir de que elas são

      • afirmadas,
      • postas,
      • dispostas
      • e repartidas no espaço do saber para eventuais conhecimentos e para ciências possíveis.

      [veja citação 2 à esquerda]

      assim também a História,
      a partir do século XIX,
      define o
      lugar de nascimento
      do que é empírico,
      lugar onde,
      aquém de toda cronologia estabelecida,
      ele assume o ser
      que lhe é próprio.

      A referência ao ‘Circuito das trocas’ – ou Mercado é uma quase unanimidade na literatura especializada filosófica ou técnica.

      Qual será a explicação para isso?

      Por que praticamente ninguém fala no ‘Lugar de nascimento do que é empírico’?

      Seria o caso de haver um desalinhamento filosófico no trabalho desses autores?

      As palavras e as coisas:
      uma arqueologia das ciências humanas;
      Capítulo VII – Os limites da representação;
      I. A idade da história
      Michel Foucault 

      Questões/Perguntas

      _thumb história do livro

      A intenção com este estudo é buscar no pensamento de Michel Foucault,
       – com foco no livro ‘As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciências humanas’ – subsídios para responder ao seguinte tipo de questões:

      - Lugar do nascimento do que é empírico:
      pensamento moderno - caminho da Construção da representação
      - Circuito das trocas, ou Mercado: pensamento clássico, ou pensamento moderno, sempre no caminho do Instanciamento da representação objeto

      Mercado, ou Circuito das trocas: lugar onde ocorrem operações nas quais o ‘modo de ser fundamental’ das empiricidades não muda.

      Encontra-se 

      • sob o pensamento clássico, o de antes de 1775,
      • e também ocorre no pensamento moderno, o de depois de 1825, no caminho do Instanciamento da representação.

      Lugar do nascimento do que é empírico: lugar onde ocorrem operações nas quais o ‘modo de ser fundamental das empiricidade sim, muda.

      Encontra-se somente sob o pensamento moderno, o de depois de 1825, no caminho da Construção da representação

      O 'Circuito das trocas', ou 'Mercado'
      lugar onde transcorre uma operação sob o pensamento clássico
      O Lugar de nascimento do que é empírico
      lugar onde transcorre a operação de construção de representação nova
      e onde se dá a articulação do pensamento do homem, com o impensado
      O Circuito das trocas
      as chaves horizontais amarelas
      onde ocorrem operações durante as quais o 'modo de ser fundamental'
      não se altera

      no pensamento clássico
      antes de 1775

      no pensamento moderno
      depois de 1825

      questão/pergunta

      2Assim como a Ordem
      no pensamento clássico
      não era
      a harmonia visível
      das coisas,
      seu ajustamento,
      sua regularidade
      ou sua simetria constatados,
      mas o espaço próprio de seu ser
      e aquilo que,
      antes de todo
      conhecimento efetivo,
      as estabelecia no saber,

      1″Mas vê-se bem
      que a História
      não deve ser aqui entendida
      como a coleta das sucessões de fatos, tais como se constituíram;

      ela é
      o modo de ser fundamental
      das empiricidades,

      aquilo a partir de que elas são

      • afirmadas,
      • postas,
      • dispostas
      • e repartidas no espaço do saber para eventuais conhecimentos e para ciências possíveis.

      [veja citação 2 à esquerda]

      A referência ao ‘Circuito das trocas’ – ou Mercado é uma quase unanimidade na literatura especializada filosófica ou técnica.

      Qual será a explicação para isso?

      Por que praticamente ninguém fala no ‘Lugar de nascimento do que é empírico’?

      Seria o caso de haver um desalinhamento filosófico no trabalho desses autores?

      3assim também a História,
      a partir do século XIX,
      define o
      lugar de nascimento
      do que é empírico,
      lugar onde,
      aquém
      de toda cronologia estabelecida,
      ele assume o ser
      que lhe é próprio.

      As palavras e as coisas:
      uma arqueologia das ciências humanas;
      Capítulo VII – Os limites da representação;
      I. A idade da história
      Michel Foucault 

      Questões/Perguntas

      _thumb história do livro

      A intenção com este estudo é buscar no pensamento de Michel Foucault,  – com foco no livro ‘As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciências humanas’ – subsídios para responder ao seguinte tipo de questões:

      Os dois obstáculos, as duas pedras de tropeço no caminho,
      encontradas por Foucault durante seu trabalho no livro
      ‘As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciências humanas’

      exemplos de modelos de operações e de organizações muito usados ainda hoje, mostrando esses dois obstáculos presentes entre nós atualmente.

      os dois obstáculos encontrados por Michel Foucault em seu trabalho
      no livro ‘As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciências humanas
      Michel Foucault
      1926-1984

      “Eis que nos adiantamos
      bem para além do acontecimento histórico
      que se impunha situar
      – bem para além das margens cronológicas dessa ruptura
      que divide, em sua profundidade,
      a epistémê do mundo ocidental
      e isola para nós o começo de certa
      maneira moderna de conhecer as empiricidades.

      É que o pensamento que nos é contemporâneo
      e com o qual, queiramos ou não, pensamos,
      se acha ainda muito dominado

      1 pela impossibilidade
      trazida à luz por volta 
      do fim do século XVIII, 
      de fundar as sínteses
      no espaço da representação:

      2 e pela obrigação 
      correlativa, simultânea, 

      mas logo dividida contra si mesma, 
      de abrir o campo transcendental da subjetividade e de constituir inversamente, 
      para além do objeto, 

      esses “quase-transcendentais” 
      que são para nós 
      Vida, o Trabalho, a Linguagem.

      As palavras e as coisas:
      uma arqueologia das ciências humanas;

      Capítulo VIII – Trabalho, vida e linguagem;
      tópico I – As novas empiricidades

      no pensamento clássico
      aquém do objeto
      antes de 1775

      no pensamento moderno
      diante do objeto
      depois de 1825

      espaço interior
      Triedro dos saberes
      para além do objeto
      reservado às
      Ciências humanas

      comparações de diferentes configurações de pensamento feitas por Michel Foucault
      A impossibilidade
      [no pensamento clássico,
      LE da figura]
      contra a sim-possibilidade
      [no pensamento moderno,
      LD da figura]
      de fundar as sínteses
      [da empiricidade objeto]
      no espaço da representação.
      o espaço interno do
      Triedro dos saberes
      – o habitat das ciências humanas –
      mostrando o modelo constituinte composto e comum a todas as Ciências Humanas

      Os obstáculos no caminho de Foucault 

      aquém do objeto

      diante do objeto

      para além do objeto

      0 Foucault havia anteriormente identificado o perfil do pensamento no período clássico, com uma configuração tal que a capacidade (ou a possibilidade – e mesmo a intenção) de fundar as sínteses – dos objetos de operações cujas representações resultassem dessas operações – no espaço da representação não era sequer cogitada:

      • em razão dos pressupostos adotados,

      e principalmente, em razão 

      • do tipo de leitura feita do fenômeno ‘operações’ das trocas, 
        • na leitura então feita, o ponto de início do fenômeno  ‘operações’, estava inserido no exato momento em que a troca tem todas as condições para acontecer; (os dois objetos da troca – o dado e o obtido –  tinham representações disponíveis e já carregadas de valor).

      1 Michel Foucault relata a seguinte situação:

      • ele havia delineado um tipo de pensamento ‘com o qual queiramos ou não pensamos’, um pensamento que segundo ele ‘tem a nossa idade e a nossa geografia’,
        • com a possibilidade de fundar as sínteses (da empiricidade objeto da operação) no espaço da representação;

      para conseguir fundar as sínteses no espaço da representação,

      • foi necessário alterar profundamente todos os pressupostos

      e a leitura feita do que seja uma operação e a análise de valor, exigiram:

      • o deslocamento do ponto de inserção da análise desde o ponto de cruzamento entre o dado e o recebido;
      • para um ponto antes da possibilidade da troca, quando os elementos que dão as condições de efetivação dessa troca, ainda não existissem,

      incorporando à análise, a operação de construção da representação nova. 

      E ele havia percebido que esse pensamento com o qual queiramos ou não pensamos

      • estava muito contaminadodominado, mesmo –
        • justamente pela impossibilidade de fazer isso (essa fundação das sínteses do objeto da operação no espaço da representação), sendo esta impossibilidade  uma característica do pensamento clássico.

      2 Ele percebia ainda uma obrigação a cumprir:

      • a de abrir o campo transcendental da subjetividade
        • e constituir, para além do objeto, os quase-transcendentais Vida, Trabalho e Linguagem.

      Ele descobre que operações nos domínios das ciências da Vida, do Trabalho e da Linguagem podem ser expressos completamente em cada domínio, por pares de modelos constituintes:

      • Vida(Biologia)
        • função-norma;
      • Trabalho(Economia)
        • conflito-regra;
      • Linguagem(Filologia)
        • significação sistema;

      e que os modelos constituintes das Ciências humanas são sempre compostos por uma combinação desses três pares de modelos constituintes.

      O Modelo constituinte  de cada uma das Ciências Humanas – é sempre uma combinação dos modelos constituintes das:

      • Ciências da vida  (Biologia):
        [função-norma];

        +
        Ciências do trabalho (Economia):
        [conflito-regra];
        +
        Ciências da Linguagem (Filologia):
        [significação-sistema].

      Podemos ver a atualidade dessa percepção de Foucault
      com Exemplos de modelos para operações e organizações
      construídos sobre estruturas de conceitos
      uns que não permitem, e outros que ao contrário sim permitem
      a fundação das sínteses (do objeto das operações) no espaço da representação.

      Veja isso aqui.

      Os tratamentos dados ao homem em nossa cultura, no pensamento clássico e no moderno, segundo Michel Foucault; 

      e as ideias – ou elementos de imagem – requeridos para compor estruturalmente modelos de operações e modelos de organizações
      com os respectivos tratamentos dados ao homem

      homem no modelo de operações do pensamento clássico, o de antes de 1775, considerado como uma das categorias do sistema de categorias,
      como um gênero, ou uma espécie
      homem no sistema de operações do pensamento moderno, o de depois de 1825 considerado em sua duplicidade de papéis:
      1. raiz e fundamento de toda positividade
      2. elemento do que é empírico.

      “Instaura-se
      uma forma de reflexão
      bastante afastada
      do cartesianismo
      e da análise kantiana,
      em que está em questão,
      pela primeira vez,
      o ser do homem,
      nessa dimensão
      segundo a qual
      o pensamento
      se dirige ao impensado,
      e com ele se articula.”

      As palavras e as coisas:
      uma arqueologia das ciências humanas;
      Capítulo IX  – O homem e seus duplos;
      V. O cogito e o impensado
      Michel Foucault 

      no pensamento clássico
      antes de 1775

      no pensamento moderno
      depois de 1825

      questão/pergunta

      “No pensamento clássico,
      aquele para quem
      a representação existe,
      e que nela se representa a si mesmo,
      aí se reconhecendo
      por imagem ou reflexo,
      aquele que trama
      todos os fios entrecruzados
      da “representação em quadro” -,
      esse [o ser do homem]
      jamais se encontra lá presente.

      Antes do fim do século XVIII,
      o homem não existia.

      Sem dúvida,
      as ciências naturais
      trataram do homem como 

      • de uma espécie
      • ou de um gênero

      a discussão
      sobre o problema das raças,
      no século XVIII, o testemunha.
      A gramática e a economia,
      por outro lado, utilizavam noções como as de necessidade,
      de desejo,
      ou de memória
      e de imaginação.”

      Mas não havia
      consciência epistemológica

      do homem como tal.

      “Antes do fim do século XVIII,
      o homem não existia.”

      “O modo de ser do homem,
      tal como se constituiu
      no pensamento moderno,
      permite-lhe desempenhar dois papéis:
      está, ao mesmo tempo,

      • no fundamento
        de todas as positividades,
      • presente, de uma forma que não se pode sequer dizer privilegiada,
        no elemento
        das coisas empíricas.

      Esse fato
      – e não se trata aí
      da essência em geral do homem,
      mas pura e simplesmente
      desse a priori histórico que,
      desde o século XIX,
      serve de solo quase evidente
      ao nosso pensamento –
      esse fato é, sem dúvida, decisivo
      para o estatuto a ser dado
      às “ciências humanas”,
      a esse corpo de conhecimentos
      (mas mesmo esta palavra
      é talvez demasiado forte:
      digamos,
      para sermos mais neutros ainda,
      a esse conjunto de discursos)
      que toma por objeto o homem
      no que ele tem de empírico.”

      É possível pensar as condições em que se dá a subjetividade de um ‘homem’ tratado como espécie, ou gênero?

      As palavras e as coisas:
      uma arqueologia das ciências humanas;
      Capítulo IX – O homem e seus duplos;
      II. O lugar do rei
      Michel Foucault 

      As palavras e as coisas:
      uma arqueologia das ciências humanas;
      Capítulo X  – As ciências humanas;
       I. O triedro dos saberes
      Michel Foucault 

      Veja o ponto “2. as possibilidades de leitura do fenômeno ‘operações de troca’ e respectivas possibilidades de análise de valor que elas nos permitem fazer”

      Parece ser a opção de leitura da ‘operação de troca’ deslocada para um ponto antes das existência dos objetos da troca o que arrasta o ser do homem e cada objeto da troca para a Forma de reflexão que se instaura em nossa cultura.

      O fenômeno ‘operações’ (em qualquer área): visões com duas abrangências muito diferentes dependendo da leitura que fazemos.

      As duas possibilidades de inserção do ponto de início da leitura do fenômeno ‘operações’ – de qualquer tipo – e a análise das diferentes origens do valor carregado pelas proposições para as representações em função da inserção do ponto de início de leitura de ‘operações’; 

      Duas visões, duas leituras do fenômeno ‘operações’:
      sob o pensamento clássico, o de antes de 1775; (seta amarela)
      sob o pensamento moderno, o de depois de 1825 (seta vermelha)
      com duas amplitudes – duas abrangências muito diferentes

      Note-se que as condições para a ocorrência da troca – a existência simultânea dos dois objetos de troca, o que é dado e o que é recebido – são satisfeitas em duas situações:

      • 1. no pensamento clássico pelo posicionamento do ponto de início de leitura sob essa condição, quer dizer, a existência prévia do que é dado e do que é recebido;
      • 2. no pensamento moderno, pela satisfação dessa pré-condição no início do Instanciamento da representação, porém com a condição da execução anterior da Construção da representação, também incluída no escopo da operação. 

      Nos pontos marcados por setas amarelas para baixo (1) e (2) as pré-condições para a ocorrência da troca são dadas, qualquer que seja a estrutura de pensamento – clássico ou moderno – segundo o pensamento de Michel Foucault.

      O que não muda entre essas duas possibilidades

      A proposição como bloco construtivo padrão fundamental e genérico para construção de representações e suas duas possibilidades de carregamento de valor, quanto às respectivas origens

      A proposição é para a linguagem
      o que a representação é
      para o pensamento:
      sua forma, ao mesmo tempo
      mais geral e mais elementar,
      porquanto, desde que a decomponhamos, não reencontraremos mais o discurso,
      mas seus elementos
      como tantos materiais dispersos.

      As palavras e as coisas:
      uma arqueologia das ciências humanas;
      Capítulo IV  – Falar;
      tópico III – Teoria do verbo
      Michel Foucault 

      (…) Em outras palavras,
      para que, numa troca,
      uma coisa possa representar outra,
      é preciso que elas existam
      já carregadas de valor;
      e, contudo,
      o valor só existe
      no interior da representação

      As palavras e as coisas:
      uma arqueologia das ciências humanas;
      Capítulo VI – Trocar;
      V. A formação do valor
      Michel Foucault 

      O que sim muda entre essas duas possibilidades

      A origem do valor carregado pelo veículo de carregamento de valor na representação: a proposição, sempre, porém em linguagens essencialmente diferentes e representações com origens de valor distintas.

      “Valer, para o pensamento clássico,
      é primeiramente valer alguma coisa,
      poder substituir essa coisa num processo de troca.

      A moeda só foi inventada,
      os preços só foram fixados e só se modificam
      na medida em que essa troca existe.

      Ora, a troca é um fenômeno simples
      apenas na aparência.

      Com efeito, só se troca numa permuta,
      quando cada um dos dois parceiros
      reconhece um valor
      para aquilo que o outro possui.

      Num sentido, é preciso, pois,
      que as coisas permutáveis,
      com seu valor próprio,
      existam antecipadamente nas mãos de cada um,
      para que a dupla cessão e a dupla aquisição
      finalmente se produzam.

      Mas, por outro lado,

      • o que cada um come e bebe,
        aquilo de que precisa para viver
        não tem valor
        enquanto não o cede;
      • e aquilo de que não tem necessidade
        é igualmente desprovido de valor
        enquanto não for usado
        para adquirir alguma coisa de que necessite.

      Em outras palavras,
      para que, numa troca,
      uma coisa possa representar outra,
      é preciso que elas existam
      já carregadas de valor;
      e, contudo,
      o valor só existe
      no interior da representação

      • (atual [troca imediata]
      • ou possível [permutabilidade]),

      isto é, no interior

      1. da troca
        [representação existente]
      2. ou da permutabilidade
        [representação possível]
        .

      As palavras e as coisas:
      uma arqueologia das ciências humanas;
      Capítulo VI – Trocar;
      V. A formação do valor
      Michel Foucault 

      O funcionamento da troca em cada uma das duas possibilidades de leitura do fenômeno ‘operação’: no ato mesmo da troca; ou anterior à troca, na criação das condições de troca

      “Daí duas possibilidades simultâneas de leitura:

      1. leitura já dadas as condições de troca;
      2. leitura na permutabilidade, isto é na criação de condições de troca

      1 uma analisa o valor
      no ato mesmo da troca,
      no ponto de cruzamento
      entre o dado e o recebido;

      • A primeira dessas duas leituras corresponde a uma análise que coloca e encerra
        • toda a essência da linguagem no interior da proposição;

      3 no primeiro caso, com efeito, a linguagem encontra seu lugar de possibilidade numa atribuição assegurada pelo verbo – isto é, por esse elemento da linguagem em recuo relativamente a todas as palavras mas que as reporta umas às outras; o verbo, tornando possíveis todas as palavras da linguagem a partir de seu liame proposicional, corresponde à troca que funda, como um ato mais primitivo que os outros, o valor das coisas trocadas e o preço pelo qual são cedidas;

      2 outra analisa-o
      como anterior à troca
      e como condição primeira
      para que esta possa ocorrer.

      • a outra, a uma análise que descobre essa mesma essência da linguagem do lado das
        • designações primitivas
        • linguagem de ação ou raiz;

      4 a outra forma de análise, a linguagem está enraizada 

      fora de si mesma e como que

        • na natureza, ou nas   
        • analogias das coisas;

      a raiz, o primeiro grito que dera nascimento às palavras antes mesmo que a linguagem tivesse nascido, corresponde à formação imediata do valor, antes da troca e das medidas recíprocas da necessidade.”

      As palavras e as coisas:
      uma arqueologia das ciências humanas;
      Capítulo VI – Trocar;
      V. A formação do valor
      Michel Foucault 

      Esta segunda leitura para ‘operações’
      – que orienta a análise de valor
      desde antes do momento da troca -,
      não é possível sem a presença do homem
      na estrutura dos modelos.

      Isso fica bastante claro com a descrição da forma de reflexão que se instaura em nossa cultura depois da descontinuidade epistemológica de 1775-1825

      Esses dois pontos de inserção da leitura da operação de troca
      mostrados nos modelos de operações

      Colocando o ponto de inserção de leitura do fenômeno ‘operações’ antes da existência dos objetos envolvidos na troca, ocorre uma portentosa ampliação no escopo da operação – de qualquer natureza -, incorporando toda a etapa de construção de representação nova. Veja isso aqui.

      As características das duas configurações do pensamento:

      • a do pensamento clássico, de antes de 1775;
      • e a do pensamento moderno, de depois de 1825

      características de características, ou características de segunda ordem,
      das configurações do pensamento em cada caso.

      no pensamento clássico
      antes de 1775

      no pensamento moderno
      depois de 1825

      questão/pergunta

      _Estrutura IO-transformação
      Os princípios organizadores
      sob o pensamento clássico:
      o de antes de 1775
      ‘Caráter’ e ‘Similitude’
      Características do pensamento clássico, o de antes de 1775
      Os princípios organizadores desse espaço de empiricidades sob o pensamento moderno,
      o de depois de 1825
      ‘Analogia’ e ‘Sucessão’
      Características do pensamento moderno, o de depois de 1825

      “Instaura-se
      uma forma de reflexão
      bastante afastada
      do cartesianismo
      e da análise kantiana,
      em que está em questão,
      pela primeira vez,
      o ser do homem,
      nessa dimensão
      segundo a qual
      o pensamento
      se dirige ao impensado,
      e com ele se articula.”

      As palavras e as coisas:
      uma arqueologia das ciências humanas;
      Capítulo IX  – O homem e seus duplos;
      V. O cogito e o impensado
      Michel Foucault 

      “Assim o círculo se fecha.

      Vê-se, porém, através de qual sistema de desdobramentos. 

      As semelhanças exigem uma assinalação, pois nenhuma dentre elas poderia ser notada se não fosse legivelmente marcada. 

      Mas que são esses sinais? 

      Como reconhecer, entre todos os aspectos do mundo e tantas figuras que se entrecruzam, 

      • que há aqui um caráter 

      no qual convém se deter, porque ele indica uma secreta e essencial semelhança? 

      Que forma constitui o signo no seu singular valor de signo? 

      • – É a semelhança

      Ele significa na medida em que tem semelhança com o que indica (isto é, com uma similitude).

      Contudo, não é a homologia que ele assinala, pois seu ser distinto de assinalação se desvaneceria no semelhante de que é signo; trata-se de outra semelhança, uma similitude vizinha e de outro tipo que serve para reconhecer a primeira, mas que, por sua vez, é patenteada por uma terceira. 

      Toda semelhança recebe uma assinalação; essa assinalação, porém, é apenas uma forma intermediária da mesma semelhança. De tal sorte que o conjunto das marcas faz deslizar, sobre o círculo das similitudes, um segundo círculo que duplicaria exatamente e, ponto por ponto, o primeiro, se não fosse esse pequeno desnível que faz com que 

      • o signo da simpatia resida na analogia, 
      • o da analogia na emulação, 
      • o da emulação na conveniência, 

      que, por sua vez, para ser reconhecida, requer 

      • a marca da simpatia… 

      A assinalação e o que ela designa são exatamente da mesma natureza; apenas a lei da distribuição a que obedecem é diferente; a repartição é a mesma.”

      De sorte que se vêem surgir,
      como princípios organizadores
      desse espaço de empiricidades, 

      • a Analogia 
      • e a Sucessão

      de uma organização a outra,
      o liame, com efeito,
      não pode mais ser
      a identidade de um
      ou vários elementos,
      mas a identidade
      da relação entre os elementos
      (onde a visibilidade
      não tem mais papel)
      e da função que asseguram;
      ademais, se porventura essas organizações se avizinham
      por efeito de uma densidade singularmente grande de analogias, não é porque ocupem
      localizações próximas
      num espaço de classificação,
      mas sim porque
      foram formadas uma ao mesmo tempo que a outra e uma logo após a outra
      no devir das sucessões.
      Enquanto, no pensamento clássico,
      a seqüência das cronologias
      não fazia mais que percorrer
      o espaço prévio e mais fundamental
      de um quadro
      que de antemão apresentava
      todas as suas possibilidades,
      doravante
      as semelhanças contemporâneas
      e observáveis simultaneamente
      no espaço não serão mais que
      as formas depositadas e fixadas de uma sucessão que procede
      de analogia em analogia.
      A ordem clássica
      distribuía num espaço permanente
      as identidades
      e as diferenças não-quantitativas
      que separavam e uniam as coisas:
      era essa a ordem
      que reinava soberanamente,
      mas a cada vez
      segundo formas e leis
      ligeiramente diferentes,
      sobre o discurso dos homens,
      o quadro dos seres naturais
      e a troca das riquezas.

      A partir do século XIX,
      a História
      vai desenrolar
      numa série temporal
      as analogias
      que aproximam umas das outras
      as organizações distintas.

      É essa História que,
      progressivamente,
      imporá suas leis

      • à análise da produção,
      • à dos seres organizados, enfim,
      • à dos grupos linguísticos.

      A História dá lugar
      às organizações analógicas,
      assim como a Ordem
      abria o caminho
      das identidades
      e das diferenças sucessivas.

      Essa forma de reflexão surgida será decorrência da segunda leitura do que seja uma operação de troca e portanto não pode prescindir do homem e do objeto?

      As palavras e as coisas:
      uma arqueologia das ciências humanas;
      Capítulo II – A prosa do mundo;
      II. As assinalações
      Michel Foucault 

      As palavras e as coisas:
      uma arqueologia das ciências humanas;
      Capítulo VII – Os limites da representação;
      I. A idade da história
      Michel Foucault 

      os lugares onde ocorrem as operações: 

      • Lugar de nascimento do que é empírico
        – operações de Construção de representações;
        • lugar onde o ‘modo de ser fundamental’ das empiricidades sim muda
      • Circuito onde ocorrem as trocas‘ ou Mercado
        – operações de Instanciamento de representações já existentes;
        • lugar onde o ‘modo de ser fundamental’ das empiricidades não muda.
      Lugar do nascimento do que é empírico:
      pensamento moderno – caminho da Construção da representação
      Circuito das trocas, ou Mercado: pensamento clássico, ou pensamento moderno, sempre no caminho do Instanciamento da representação objeto

      Mercado, ou Circuito das trocas: lugar onde ocorrem operações nas quais o ‘modo de ser fundamental’ das empiricidades não muda.

      Encontra-se 

      • sob o pensamento clássico, o de antes de 1775,
      • e também ocorre no pensamento moderno, o de depois de 1825, apenas no caminho do Instanciamento da representação.

      Lugar do nascimento do que é empírico: lugar onde ocorrem operações nas quais o ‘modo de ser fundamental das empiricidade sim, muda.

      Encontra-se somente sob o pensamento moderno, o de depois de 1825, e apenas no caminho da Construção da representação

      O ‘Circuito das trocas’,
      ou ‘Mercado’
      as chaves amarelas no LE da figura, lugar onde transcorre uma operação sob o pensamento clássico
      O Lugar de nascimento do que é empírico – fora e antes do Mercado –
      lugar onde transcorre a operação de construção de representação nova
      e onde se dá a articulação
      do pensamento do homem,
      com o impensado
      O Circuito das trocas
      as chaves horizontais amarelas
      no LD da figura, onde ocorrem operações durante as quais
      o ‘modo de ser fundamental’
      não se altera; é novamente o Mercado, agora no pensamento moderno

      ‘modo de ser fundamental das empiricidades’ é o conceito chave aqui.

      No pensamento clássico, o de antes de 1775, pelos pressupostos adotados, é impossível definir o que seja ‘modo de ser fundamental’ de empiricidades cuja definição escapa ao escopo destas operações.

      Estas operações transcorrem no interior do Circuito das trocas, a chave amarela horizontal, lugar onde não há alteração no modo como as coisas se apresentam à operação.

      No pensamento moderno, o de depois de 1825, pelos pressupostos adotados é sim possível definir o que seja ‘modo de ser fundamental’ de empiricidades objeto da operação de Construção da representação que, se nova nesse domínio e ambiente, é o próprio escopo destas operações.

      Operações no caminho da Construção da representação transcorrem no interior do ‘Lugar de nascimento do que é empírico’, as chaves coloridas verticais, em um espaço que engloba os lugares  desde onde se fala e do falado. O sucesso dessas operações altera ‘o modo de ser fundamental’ da empiricidade objeto, e com isso, faz-se História.

      No pensamento moderno, o de depois de 1825, em uma operação de Instanciamento de representação objeto cuja construção da representação foi anteriormente feita e incorporada ao Repositório, a representação objeto de Instanciamento é recuperada do Repositório.

      Assim, a operação de Instanciamento não altera o ‘modo de ser fundamental’ da empiricidade objeto de instanciamento.

      no pensamento clássico
      antes de 1775

      no pensamento moderno
      depois de 1825

      questão/pergunta

      2Assim como a Ordem
      no pensamento clássico
      não era
      a harmonia visível
      das coisas,
      seu ajustamento,
      sua regularidade
      ou sua simetria constatados,
      mas o espaço próprio de seu ser
      e aquilo que,
      antes de todo
      conhecimento efetivo,
      as estabelecia no saber,

      1″Mas vê-se bem
      que a História
      não deve ser aqui entendida
      como a coleta das sucessões de fatos, tais como se constituíram;

      ela é

      o modo de ser fundamental
      das empiricidades,

      aquilo a partir de que elas são

      • afirmadas,
      • postas,
      • dispostas
      • e repartidas no espaço do saber

      para eventuais conhecimentos
      e para ciências possíveis.

      3 assim também
      a História,
      a partir do século XIX,
      define o

      lugar de nascimento
      do que é empírico,

      lugar onde,
      aquém
      de toda cronologia estabelecida,
      ele assume o ser
      que lhe é próprio.

      A referência ao ‘Circuito das trocas’ – ou Mercado é uma quase unanimidade na literatura especializada filosófica ou técnica.

      Qual será a explicação para isso?

      Por que praticamente ninguém fala no ‘Lugar de nascimento do que é empírico’?

      Seria o caso de haver um desalinhamento filosófico no trabalho desses autores?

      As palavras e as coisas:
      uma arqueologia das ciências humanas;
      Capítulo VII – Os limites da representação;
      I. A idade da história
      Michel Foucault 

      os princípios organizadores dos modelos de operações que fazemos

      no pensamento clássico
      antes de 1775

      no pensamento moderno
      depois de 1825

      questão/pergunta

      _Estrutura IO-transformação
      Os princípios organizadores
      sob o pensamento clássico:
      o de antes de 1775
      ‘Caráter’ e ‘Similitude’
      Características do pensamento clássico
      o de antes de 1775

      “Assim o círculo se fecha.

      Vê-se, porém, através de qual sistema de desdobramentos. 

      As semelhanças exigem uma assinalação, pois nenhuma dentre elas poderia ser notada se não fosse legivelmente marcada. 

      Mas que são esses sinais? 

      Como reconhecer, entre todos os aspectos do mundo e tantas figuras que se entrecruzam, 

      • que há aqui um caráter 

      no qual convém se deter, porque ele indica uma secreta e essencial semelhança? 

      Que forma constitui o signo no seu singular valor de signo? 

      • – É a semelhança

      Ele significa na medida em que tem semelhança com o que indica (isto é, com uma similitude).

      Contudo, não é a homologia que ele assinala, pois seu ser distinto de assinalação se desvaneceria no semelhante de que é signo; trata-se de outra semelhança, uma similitude vizinha e de outro tipo que serve para reconhecer a primeira, mas que, por sua vez, é patenteada por uma terceira. 

      Toda semelhança recebe uma assinalação; essa assinalação, porém, é apenas uma forma intermediária da mesma semelhança. De tal sorte que o conjunto das marcas faz deslizar, sobre o círculo das similitudes, um segundo círculo que duplicaria exatamente e, ponto por ponto, o primeiro, se não fosse esse pequeno desnível que faz com que 

      • o signo da simpatia resida na analogia, 
      • o da analogia na emulação, 
      • o da emulação na conveniência, 

      que, por sua vez, para ser reconhecida, requer 

      • a marca da simpatia… 

      A assinalação e o que ela designa são exatamente da mesma natureza; apenas a lei da distribuição a que obedecem é diferente; a repartição é a mesma.”

      Os princípios organizadores desse espaço de empiricidades sob o pensamento moderno,
      o de depois de 1825
      ‘Analogia’ e ‘Sucessão’
      Características do pensamento moderno
      o de depois de 1825

      De sorte que se vêem surgir,
      como princípios organizadores
      desse espaço de empiricidades, 

      • a Analogia 
      • e a Sucessão

      de uma organização a outra,
      o liame, com efeito,
      não pode mais ser
      a identidade de um
      ou vários elementos,
      mas a identidade
      da relação entre os elementos
      (onde a visibilidade
      não tem mais papel)
      e da função que asseguram;
      ademais, se porventura essas organizações se avizinham
      por efeito de uma densidade singularmente grande de analogias, não é porque ocupem
      localizações próximas
      num espaço de classificação,
      mas sim porque
      foram formadas uma ao mesmo tempo que a outra e uma logo após a outra
      no devir das sucessões.
      Enquanto, no pensamento clássico,
      a seqüência das cronologias
      não fazia mais que percorrer
      o espaço prévio e mais fundamental
      de um quadro
      que de antemão apresentava
      todas as suas possibilidades,
      doravante
      as semelhanças contemporâneas
      e observáveis simultaneamente
      no espaço não serão mais que
      as formas depositadas e fixadas de uma sucessão que procede
      de analogia em analogia.
      A ordem clássica
      distribuía num espaço permanente
      as identidades
      e as diferenças não-quantitativas
      que separavam e uniam as coisas:
      era essa a ordem
      que reinava soberanamente,
      mas a cada vez
      segundo formas e leis
      ligeiramente diferentes,
      sobre o discurso dos homens,
      o quadro dos seres naturais
      e a troca das riquezas.

      A partir do século XIX,
      a História
      vai desenrolar
      numa série temporal
      as analogias
      que aproximam umas das outras
      as organizações distintas.

      É essa História que,
      progressivamente,
      imporá suas leis

      • à análise da produção,
      • à dos seres organizados, enfim,
      • à dos grupos linguísticos.

      A História dá lugar
      às organizações analógicas,
      assim como a Ordem
      abria o caminho
      das identidades
      e das diferenças sucessivas.

      As palavras e as coisas:
      uma arqueologia das ciências humanas;
      Capítulo II – A prosa do mundo;
      II. As assinalações
      Michel Foucault 

      As palavras e as coisas:
      uma arqueologia das ciências humanas;
      Capítulo VII – Os limites da representação;
      I. A idade da história
      Michel Foucault 

      os lugares contidos dentro do ‘Lugar de nascimento do que é empírico’:

      • o lugar ‘desde onde se fala
      • e o lugar ‘do falado‘;

      consistentes com os blocos do ‘operar‘ e do ‘suporte ao operar‘ de Humberto Maturana

      Esses dois lugares – o ‘desde onde se fala’ e o ‘do falado’ –
      juntos delimitam o espaço onde se dá a articulação
      do pensamento do homem com o impensado feita
      no domínio do Pensamento e da Língua
      e sua ligação com o domínio do Discurso e da Representação

      no pensamento clássico
      antes de 1775

      no pensamento moderno
      depois de 1825

      questão/pergunta

      O ‘Circuito das trocas’, ou ‘Mercado’
      lugar onde transcorre uma operação sob o pensamento clássico

      Lugar desde onde se fala

      Lugar do falado

      são sub-espaços do Lugar de nascimento do que é empírico o que implica que o pensamento está funcionando com o entendimento do pensamento moderno, o de depois de 1825, a coluna ao lado, portanto.

      • Lugar desde onde se fala não pode ser delineado sob o pensamento clássico pela falta da ideia e do elemento de imagem ‘homem’, aquele que fala, raiz e fundamento de toda positividade, e também da ideia do objeto resultado da articulação do pensamento com o impensado, feita pelo homem,;
      • e o Lugar do falado, analogamente, não pode ser delineado no LE da figura. 

      todo o espaço  corresponde, no LE da figura, ao domínio todo em que ocorrem as operações sob o pensamento clássico, a saber, o domínio do Discurso e da Representação.

      A leitura do que sejam Operações sob o entendimento no pensamento clássico pressupõe o ponto de inserção para análise no exato cruzamento entre o dado e o recebido na operação de troca, cuja condição de possibilidade está, desse modo, dada.

      Lugar deste onde se fala:
      ideias que formulam a proposição /
      (sujeito e predicado do sujeito);
      Lugar do falado:
      ideias que dão suporte na experiência ao instanciamento da representação
      no domínio e ambiente

      Lugar do nascimento do que é empírico: espaço ocupado por:

      • Lugar desde onde se fala;
      • Lugar do falado

      O Lugar de nascimento do que é empírico, como o nome sugere, está situado antes do circuito das trocas, e em seu interior ocorre a construção de representação nova.

      Essa visão do que sejam operações corresponde à leitura de operações, ou visão desse fenômeno como desde um ponto de inserção anterior à troca

      Lugar desde onde se fala

      As ideias ou elementos de imagem que estão envolvidas na formulação da proposição estão contidas no espaço chamado de Lugar desde onde se fala:

      • sujeito: o homem na posição de raiz de toda positividade
      • predicado do sujeito
        • verbo: Forma de produção, o elemento central da operação de construção da representação;
        • atributo: a representação em construção, nas posições extremas da operação de construção.

      Esse espaço coincide com o espaço chamado por Humberto Maturana de ‘operar’, o retângulo vermelho na figura ao lado, parte do Lugar de nascimento do que é empírico, mas no interior do domínio do Pensamento e da Língua.

      Lugar do falado

      As ideias ou elementos de imagem que estão envolvidos na sustentação da Forma de produção na experiência estão no lugar do falado:

      • elementos de suporte na experiência à Forma de produção, onde se encontram
        • processos, atividades, tasks

      A operação de construção da representação escolhe os elementos de suporte na experiência à Forma de produção, que deve ser capaz de produzir quando implementada, uma instância da representação com o operar vislumbrado – ou o mais próximo disso possível. Humberto Maturana chama esse espaço de ‘suporte ao operar’, o retângulo amarelo na figura ao lado. 

      O Lugar do falado é parte do Lugar de nascimento do que é empírico, mas suas ideias – ou elementos de imagem – fazem parte do domínio do Discurso e da Representação.

      “É preciso, portanto,
      tratar esse verbo
      como um ser misto,

      ao mesmo tempo
      palavra entre as palavras,

      preso às mesmas regras,
      obedecendo como elas
      às leis de regência
      e de concordância;


      e depois,


      em recuo em relação a elas todas,

      numa região que

      • não é
        aquela do falado

      • mas aquela 
        donde se fala.

      Ele está na orla do discurso,
      na juntura entre

      • aquilo que é dito

      • e aquilo que se diz,

      exatamente lá onde os signos
      estão em via de se tornar linguagem.”

      As palavras e as coisas:
      uma arqueologia das ciências humanas;
      Capítulo IV – Falar;
      tópico III. A teoria do verbo
      por Michel Foucault

      Há correspondências que precisam ser anotadas, entre elas:

      • no princípio dual de trabalho de David Ricardo
        • aquela atividade que está na origem do valor das coisas 
        • tem suas ideias – ou seus elementos de imagem no lugar desde onde se fala
      • no LD – lado direito da figura 2 de Humberto Maturana
        • os dois blocos do ‘Explicar com Reformular’ em que Maturana divide suas explicações
          • sobre o que acontecia com o ser vivo,
          • e o modo como ele o via no seu espaço de distinções
        • correspondem apropriadamente com o que Foucault chama respectivamente de 
          • Lugar desde onde se fala e 
          • Lugar do falado.

      Processo e Mercado são os conceitos largamente utilizados;
      e ao mesmo tempo não se ouve falar 

      • em Forma de produção
      • ou em Lugar de nascimento do que é empírico,
      • e menos ainda em Nexo da produção

      como ideias – ou elementos de imagem – em modelos de operações e organizações

      no pensamento clássico
      aquém do objeto
      antes de 1775

      no pensamento moderno
      diante do objeto
      depois de 1825

      espaço interior Triedro dos saberes
      para além do objeto
      reservado às Ciências humanas

      Aquém do objeto:
      Processo

      Diante do objeto:
      Forma de produção

      Além do objeto
      Nexo da operação

      o elemento central em operações
      no pensamento clássico
      Processo
      o elemento central em operações
      no pensamento moderno
      Forma de produção
      o Nexo da produção,
      o elemento central do modelo de organização no formato SSS
      • Elemento central:
        • Processo

      entendido sob o primeiro conceito de verbo explicado por Michel Foucault, como elemento gerador de um sistema relativo de anterioridade ou simultaneidade das coisas entre si, que o mais que faz é indicar a coexistência de duas representações.

      • característica emergente: 
        • fluxo
      • metáfora 
        • transformação única
      • Elemento central:
        • Forma de produção

      entendida sob o segundo conceito de verbo explicado por Michel Foucault, tratado como um ser misto, inicialmente palavra entre palavras, preso às mesmas regras às mesmas regras, obedecendo como elas às mesmas leis de regência e concordância, e depois, em recuo em relação a elas todas, numa região que não é aquela do falado, mas aquela donde se fala.

      • característica emergente:
        • permanência
      • metáfora
        • conversão ou duas transformações
      • Elemento central:
        • Nexo da produção

      a formulação para além do objeto associa o sistema cujo resultado é o produto, aquilo que se quer obter, com o instrumento imprescindível para obtê-lo.

      • propriedades emergentes:
        • simetria, simbiose e sinergia

      Em um pensamento mágico sobre a produção – nos moldes ‘varinha mágica de condão’ –  é possível desejar algo e, sem mais nada, vê-lo surgir à nossa frente depois do Plin!!! 

      Num ambiente de produção real, porém, nada é produzido sem um instrumento com o qual instanciar esse objeto na realidade. A estrutura SSS é isso: a modelagem das operações de produção do objeto desejado juntamente com as operações de produção do objeto – distinto deste – laboratório piloto, ou fábrica, subindo um nível estrutural e impondo como elemento central o Nexo da produção

      o significado/tratamento atribuído ao que seja um ‘Verbo’;
      para o antes e para o depois da descontinuidade epistemológica

      Ideias – ou elementos de imagem – centrais no LE e no LD da figura
      Processo o elemento central no pensamento clássico
      Forma de produção o elemento central no pensamento moderno, com as
      designações primitivas e a linguagem de ação ou raiz

      no pensamento clássico
      antes de 1775

      no pensamento moderno
      depois de 1825

      questão/pergunta

      Aquém do objeto

      Conceito de Verbo ‘Processo’
      na configuração de pensamento
      do período clássico, antes de 1775

      Verbo como
      Processo

      “A única coisa que o verbo afirma
      é a coexistência de duas representações:
      por exemplo, 

      • a do verde
        e da árvore,

      • a do homem
        e da existência

        ou da morte; 

      é por isso que
      o tempo dos verbos

      não indica
      aquele [tempo]

      em que as coisas existiram
      no absoluto,

      mas um sistema relativo
      de anterioridade ou de simultaneidade
      das coisas entre si.”

      Diante e Além do objeto

      Conceito de Verbo ‘Forma de produção’
      na configuração de pensamento
      do período moderno, depois de 1825

      Verbo como
      Forma de produção

      “É preciso, portanto,
      tratar esse verbo
      como um ser misto,

      ao mesmo tempo
      palavra entre as palavras,

      preso às mesmas regras,
      obedecendo como elas
      às leis de regência
      e de concordância;


      e depois,


      em recuo em relação a elas todas,

      • numa região que não é
        aquela do falado

      • mas aquela
        donde se fala.

      Ele está na orla do discurso,
      na juntura entre

      • aquilo que é dito

      • e aquilo que se diz,

      exatamente lá onde os signos
      estão em via de se tornar linguagem.”

      Dadas as grandes diferenças entre esses dois conceitos e tratamentos consequentes, para o que seja um ‘Verbo’, e a total consistência entre o segundo conceito/tratamento e ‘Forma de produção’

      • por que será que ‘Processo’ seja uma unanimidade nos textos sobre o assunto?

      As palavras e as coisas:
      uma arqueologia das ciências humanas;
      Capítulo IV – Falar;
      tópico III. A teoria do verbo
      por Michel Foucault

      As palavras e as coisas:
      uma arqueologia das ciências humanas;
      Capítulo IV – Falar;
      tópico III. A teoria do verbo
      por Michel Foucault

      o significado/tratamento atribuído ao que seja um ‘Classificar’;
      para o antes e para o depois da descontinuidade epistemológica

      no pensamento clássico
      antes de 1775

      no pensamento moderno
      depois de 1825

      questão/pergunta

      Aquém
      do objeto

      O conceito de ‘Classificar’
      no pensamento clássico
      o de antes de 1775

      ‘Classificar’
      no pensamento clássico

      Aquém do objeto,
      isto é,
      no pensamento filosófico Classico
      o de antes de 1775

      nessa faixa do espectro de modelos
      que o pensamento de Michel Foucault permite desenhar

      Classificar
      é referir

      • o visível
      • a si mesmo,

      encarregando um dos elementos
      de representar os outros.”

      Diante e Além
      do objeto

      O conceito de ‘Classificar’
      no pensamento moderno
      o de depois de 1825

      ‘Classificar’
      no pensamento moderno

      Diante, e Além do objeto, 
      isto é, 
      no pesamento filosófico moderno,
      o de depois de 1825

      nessa faixa do espectro de modelos 
      que o pensamento de Michel Foucault permite desenhar

      “Em um movimento
      que faz revolver a análise

      Classificar
      é referir

      • o visível 
      • ao invisível 

      – como a sua razão profunda -, 

      e depois,
      alçar de novo
      dessa secreta arquitetura,
      em direção aos seus
      sinais manifestos,
      que são dados
      à superfície dos corpos.”

      Dadas as grandes diferenças entre esses dois conceitos e tratamentos consequentes, por que será que ‘Processo’ seja uma unanimidade nos textos sobre o assunto?

      As palavras e as coisas:
      uma arqueologia das ciências humanas;
      Cap. VII – Os limites da representação; tópico III. A organização dos seres

      As palavras e as coisas:
      uma arqueologia das ciências humanas;
      Cap. VII – Os limites da representação; tópico III. A organização dos seres

      pares de modelos constituintes das ciências do eixo epistemológico fundamental

      • da Vida(Biologia) [função-norma],
      • do Trabalho(Economia) [conflito-regra]
      • e da Linguagem(Filologia) [significação-sistema]

      e o modelo constituinte padrão, comum a todas das ciências humanas; um modelo composto por uma combinação entre esses três pares de modelos constituintes das ciências da Vida, do Trabalho e da Linguagem

      no pensamento clássico
      antes de 1775
      aquém do objeto

      no pensamento moderno
      depois de 1825
      diante do objeto

      no pensamento moderno
      também depois de 1825
      para além do objeto

      não há modelos constituintes sob o pensamento clássico

      O Triedro dos saberes: eixos e faces
      espaço das ciências da Vida, do Trabalho e da Linguagem
      O interior ao Triedro dos saberes
      o espaço das Ciências humanas

      Aquém do objeto

      Não há modelos constituintes nesta faixa do espectro, já que nada é constituído na existência durante as operações;

      Na configuração do pensamento pressupõe-se que todas as coisas
      existem desde sempre e para sempre,
      e integram o Universo em uma visão única.

      Existem múltiplas ordens que podem ser arbitrariamente escolhidas para cada operação; e em uma mesma organização podem conviver ordens – como diz Foucault – ligeiramente diferentes. Tem-se inúmeras categorias para cada ordem escolhida, e muitas ordens possíveis de serem selecionadas.

      Nada é constituído na existência como resultado das distinções feitas durante as operações nesta faixa do espectro.

      Diante do objeto

      A modelagem em cada área do saber é feita com um modelo constituinte específico e próprio de cada uma delas:

      No que Foucault chama de ‘Região epistemológica Fundamental’ os Modelos constituintes são compostos por pares constituintes, próprios a cada região do saber ou área do conhecimento em que o modelo é feito:

      • Ciências da vida (Biologia):


        [função-norma]
        ;

      • Ciências do trabalho (Economia):


        [conflito-regra];

      • Ciências da Linguagem (Filologia):

        [significação-sistema].

      Além do objeto

      No campo das ciências humanas, o modelo constituinte de qualquer uma delas se unifica. Os Modelos constituintes são compostos por uma combinação dos três pares de modelos constituintes das ciências
      da Vida
      -(Biologia), do Trabalho-(Economia) e da Linguagem-(Filologia).

      O Modelo constituinte  de cada uma das Ciências Humanas – é sempre uma combinação dos modelos constituintes das:

      • Ciências da vida  (Biologia):
        [função-norma];

        +
        Ciências do trabalho (Economia):
        [conflito-regra];

        +
        Ciências da Linguagem (Filologia):
        [significação-sistema].

      Proposição: o bloco construtivo

      • padrão,
      • genérico
      • e fundamental

      oferecido pela gramática da língua para construção de representações.

      Esse bloco construtivo ‘proposição’ carrega valor para as representações, mas faz isso de ao menos dois modos diferentes e com duas visões distintas para o que sejam ‘operações’.

      “Valer, para o pensamento clássico, é primeiramente valer alguma coisa, poder substituir essa coisa num processo de troca. A moeda só foi inventada, os preços só foram fixados e só se modificam na medida em que essa troca existe.

      Ora, a troca é um fenômeno simples apenas na aparência.

      Com efeito, só se troca numa permuta, quando cada um dos dois parceiros reconhece um valor para aquilo que o outro possui.

      Num sentido, é preciso, pois, que as coisas permutáveis, com seu valor próprio, existam antecipadamente nas mãos de cada um, para que

      • a dupla cessão
      • e a dupla aquisição

      finalmente se produzam.

      Mas, por outro lado, o que cada um come e bebe, aquilo de que precisa para viver não tem valor enquanto não o cede; e aquilo de que não tem necessidade é igualmente desprovido de valor enquanto não for usado para adquirir alguma coisa de que necessite.

      Em outras palavras, para que, numa troca, uma coisa possa representar outra,

      • é preciso que elas existam já carregadas de valor;
        • e, contudo, o valor só existe no interior da representação
          (atual ou possível), isto é,
        • no interior da troca ou da permutabilidade.

      “A proposição é
      para a linguagem
      o que a representação é
      para o pensamento
      sua forma,
      ao mesmo tempo
      mais geral
      e mais elementar
      porquanto,
      desde que a decomponhamos,
      não encontremos mais o discurso
      mas seus elementos
      como tantos materiais dispersos

      As palavras e as coisas:
      uma arqueologia das ciências humanas;
      Capítulo VI – Trocar;
      V. A formação do valor
      Michel Foucault 

      As palavras e as coisas:
      uma arqueologia das ciências humanas;
      Cap. IV – Falar;
      tópico: III – A teoria do verbo
      Michel Foucault

      no pensamento clássico
      antes de 1775

      no pensamento moderno
      depois de 1825

      questão/pergunta

      a proposição no pensamento clássico
      ponto de aplicação da leitura de operações no momento da troca

      a toda a essência da linguagem  encerrada – diretamente – na própria proposição;

      junto com esse ‘encerramento’ vão as ideias – ou elementos de imagem – necessários para a formulação da proposição, que assim, não participam do modelo de operações.

      a proposição no pensamento moderno ponto de aplicação da leitura de operações antes da troca

      a descoberta da essência da linguagem  fora dela mesma, linguagem; a proposição formulada no modelo por suas ideias ou elementos de imagem presentes; inicialmente vazia, apenas um enunciado, é preenchida de valor a partir de duas fontes:

      • as designações primitivas;
      • a linguagem de ação ou raiz

      ambas assinaladas na figura.

      “Daí duas possibilidades simultâneas de leitura:

      1 uma analisa o valor

      • no ato mesmo da troca,

      no ponto de cruzamento
      entre o dado e o recebido;

      • A primeira dessas duas leituras corresponde a uma análise que coloca e encerra toda a essência da linguagem no interior da
        • proposição;

      3 no primeiro caso, com efeito, a linguagem encontra seu lugar de possibilidade numa atribuição assegurada pelo verbo – isto é, por esse elemento da linguagem em recuo relativamente a todas as palavras mas que as reporta umas às outras; o verbo, tornando possíveis todas as palavras da linguagem a partir de seu liame proposicional, corresponde à troca que funda, como um ato mais primitivo que os outros, o valor das coisas trocadas e o preço pelo qual são cedidas;

      2 outra analisa-o

      • como anterior à troca 

      e como condição primeira
      para que esta possa ocorrer.

      • a outra, a uma análise que descobre essa mesma essência da linguagem
        do lado das
        • designações primitivas
        • linguagem de ação ou raiz;

      4 a outra forma de análise, a linguagem está enraizada 

      • fora de si mesma e como que
        • na natureza, ou nas   
        • analogias das coisas;

      a raiz, o primeiro grito que dera nascimento às palavras antes mesmo que a linguagem tivesse nascido, corresponde à formação imediata do valor,

      • antes da troca
      • e das medidas recíprocas da necessidade.”

      As palavras e as coisas:
      uma arqueologia das ciências humanas;
      Capítulo VI – Trocar;
      V. A formação do valor
      Michel Foucault 

      Ideias – ou elementos de imagem – requeridos para a
      Formulação da proposição, e valor carregado 

      Ideias – ou elementos de imagem requeridos para formulação da proposição ausentes da estrutura do modelo de operação.

      Valor carregado diretamente na proposição.

      impossibilidade de formulação da proposição com ideias – ou elementos de imagem – requeridos, pela ausência do homem em sua duplicidade de papéis, e pela noção de objeto descrito por suas propriedades originais e constitutivas.

      Proposição formulada com ideias ou elementos de imagem pertencentes à estrutura interna do modelo de operações;

      Valor carregado pela proposição com origem fora da linguagem

      • designações primitivas

      a busca por origem, condições de possibilidade e de generalidade dentro de limites, para a representação da empiricidade objeto no domínio e ambiente em que a operação acontece. 

      • linguagem de ação ou raiz

      todo o conteúdo do Repositório de proposições explicativas da experiência formuladas de acordo com as regras da língua, à disposição da construção de novas representações.

      Os tipos de sistemas que dão suporte a operações,
      em função da configuração do pensamento:

      • no pensamento clássico: o sistema Input-Output, ou um sistema relativo de anterioridade ou simultaneidade das coisas entre si;
      • no pensamento moderno: um sistema construído no interior do Lugar de nascimento do que é empírico, lugar onde as empiricidades objeto das operações adquirem ‘o ser que lhes é próprio’.

      no pensamento clássico
      antes de 1775
      verbo ‘Processo

      no pensamento moderno
      depois de 1825
      verbo ‘Forma de produção

      questão/pergunta

      Operação clássica sob o conceito de Verbo ‘Processo’
      na configuração de pensamento
      do período clássico, antes de 1775

      “A única coisa
      que o verbo afirma

      é a coexistência de duas representações:
      por exemplo, 

      • a do verde
        e da árvore,

      • a do homem
        e da existência

        ou da morte; 

      é por isso
      que o tempo dos verbos

      não indica
      aquele [tempo]

      em que as coisas existiram
      no absoluto,

      mas um sistema relativo
      de anterioridade ou de simultaneidade
      das coisas entre si.”

      Operação moderna sob o conceito de
      Verbo ‘Forma de produção’
      na configuração de pensamento
      do período moderno, depois de 1825

      “É preciso, portanto,
      tratar esse verbo
      como um ser misto,

      ao mesmo tempo
      palavra entre as palavras,

      preso às mesmas regras,
      obedecendo como elas
      às leis de regência
      e de concordância;


      e depois,


      em recuo em relação a elas todas,

      • numa região que não é
        aquela do falado

      • mas aquela
        donde se fala.

      Ele está na orla do discurso,
      na juntura entre

      • aquilo que é dito

      • e aquilo que se diz,

      exatamente lá onde os signos
      estão em via de se tornar linguagem.”

      As palavras e as coisas:
      uma arqueologia das ciências humanas;
      Capítulo IV – Falar;
      tópico III. A teoria do verbo
      por Michel Foucault

      O tipo de sistema

      O conceito acima é explícito em fornecer uma descrição do tipo de sistema para operações sob o pensamento clássico.

      Trata-se de 

      • um sistema relativo
        de anterioridade ou de simultaneidade
        das coisas entre si; 

      uma definição magistral para o que seja o sistema Input-Output.

      asdf

      Trata-se de um sistema relativo de anterioridade ou de simultaneidade das coisas entre si; uma definição magistral para o que seja o sistema Input-Output.

      O tipo de leitura

      asdf

      Trata-se de um sistema relativo de anterioridade ou de simultaneidade das coisas entre si; uma definição magistral para o que seja o sistema Input-Output.

      asdf

      Trata-se de um sistema relativo de anterioridade ou de simultaneidade das coisas entre si; uma definição magistral para o que seja o sistema Input-Output.

      o tempo nas operações, em função dos sistemas
      em cada segmento do espectro de modelos

      no pensamento clássico
      antes de 1775
      aquém do objeto

      no pensamento moderno
      depois de 1825
      diante e para além do objeto

      no pensamento moderno
      também depois de 1825
      diante e para além do objeto

      formulação reversível
      e somente 
      instanciamento
      da representação;
      deus Chronos

      formulação irreversível
      e operação de construção
      da representação 
      deus Kairós

      formulação reversível
       e operação instanciamento
      da representação
      deus Chronos

      pensamento clássico, o de antes de 1775
      tempo calendário no sistema Input-Output
      operação de instanciamento de representação anteriormente formulada
      pensamento moderno, o de depois de 1825
      tempo absoluto sistema absoluto
      no caminho da Construção da representação
      pensamento moderno, o de depois de 1825
      tempo relativo, sistema relativo ou absoluto,
      no caminho do Instanciamento da representação

      Aquém do objeto

      Diante ou para além do objeto

      Nota: a existência precede as distinções feitas na operação.

      Tempo na formulação e no instanciamento da representação:

      • formulação reversível durante a formulação;
      • tempo calendário, ou tempo relativo no sentido de que
        • dada a inserção calendário de um evento (i) ou (f),
        • a posição calendário do outro evento (f) ou (i) pode ser calculada com as propriedades aparentes disponíveis antes e depois da operação;
      • irreversibilidades somente na etapa de instanciamento da representação

      Não há nada que possa ser afirmado, posto, disposto e repartido no espaço do saber para eventuais conhecimentos e ciências possíveis e assim não se pode falar em ‘modo de ser fundamental’ do que quer que seja. 

      Assim, no pensamento clássico, não é possível adotar esse conceito ‘modo de ser fundamental das empiricidades’ como elemento ordenador da história, que é compreendida como sucessão de fatos assim como se sucedem.

      caminho da
      Construção da representação
      Nota: a existência se constitui com as distinções feitas na operação

      Durante essa operação, a empiricidade objeto da operação, sim, muda seu ‘modo de ser fundamental’ nesse domínio e ambiente em decorrência da operação.

      Tempo no caminho da Construção da representação, durante a formulação da representação:

      • formulação irreversível durante a formulação;
      • tempo absoluto no sentido de que a empiricidade objeto ‘assume o ser que lhe é próprio’ em decorrência da operação, e então:
        • dada a inserção calendário de um evento (i) ou (f)
        • não é possível o cálculo da inserção calendário do outro evento (f) ou (i) a partir dessa inserção calendário do evento anterior em virtude da não disponibilidade das propriedades antes/depois da operação;
      •  irreversibilidades ocorrem na formulação da operação de construção da representação.

      A empiricidade objeto da operação tem um novo ‘modo de ser fundamental’, isto é, pode ser ‘afirmada, posta, disposta e repartida no espaço do saber para eventuais conhecimentos e ciências possíveis’.

      Tomando o ‘modo de ser fundamental’ das empiricidades como elemento ordenador da história, durante esse tipo de operações, sim, faz-se história.

       caminho do
      Instanciamento da representação

      Nota: a existência volta a preceder as distinções feitas na operação.
       

      Durante essa operação a empiricidade objeto não muda seu ‘modo de ser fundamental’ nesse domínio e ambiente em decorrência da operação.

      Tempo  no caminho do Instanciamento da representação previamente existente no Repositório e dele recuperada para a posição de empiricidade objeto na presente operação de instanciamento:

      • formulação volta a ser reversível; (é possível descartar uma formulação de instanciamento e formular outra com novas escolhas, sem perdas;
      • tempo volta a ser tempo calendário, ou tempo relativo;
      • irreversibilidades no caminho do Instanciamento da representação ocorrem em decorrência do desencadeamento dos elementos de suporte na experiência à Forma de produção.

      A empiricidade objeto da operação tem exatamente o mesmo ‘modo de ser fundamental’ com que foi recuperada do repositório, isto é, pode ser ‘afirmada, posta, disposta e repartida no espaço do saber para eventuais conhecimentos e ciências possíveis’ exatamente da mesma forma como havia sido acrescentada ao repositório.

      Tomando o ‘modo de ser fundamental’ das empiricidades como elemento ordenador da História, durante esse tipo de operações não se faz história.

      Modelagem de operações e organizações organizadas pelo par sujeito-objeto, com operações específicas e separadas para cada um desses pares, porém relacionadas:

       

      • um modelo para a operação e organização para o objeto esperado pelo Cliente (Produto);
      • e um modelo para a operação e organização  para o instrumento capaz de obter o Produto, bem como obter o objeto esperado pelo Acionista (Benefícios de toda espécie, Lucros)

      Mapa geral das operações na disposição SSS

      Modelagem para uma organização incluindo o objeto esperado de interesse do Cliente
      e o instrumento capaz de obtê-lo, e também o objeto esperado de interesse do Acionista
      identificando o nexo da produção

      Argumento: a modelagem de operações
      organizada pelo par sujeito-objeto

      Construção da estrutura de operações na disposição SSS – Simétrica, Simbiótica e Sinérgica

      Lorem ipsum dolor sit amet, consectetur adipiscing elit. Ut elit tellus, luctus nec ullamcorper mattis, pulvinar dapibus leo.

      Cronologia básica da descontinuidade epistemológica ocorrida em nossa cultura ocidental entre os anos 1775-1825 segundo Michel Foucault.

      • fases e ponto de ruptura desse evento;
      • linha de tempo com as defasagens entre conquistas no pensamento e respectivo uso nas áreas técnicas;
      • alguns autores importantes de um e de outro lado desse evento;
      • ponto de entrada do homem em nossa cultura;
      • alguns autores citados como referências em modelos sociais, econômicos e políticos
      Michel Foucault
      1926-1984

      “E foi realmente necessário 
      um acontecimento fundamental
      – um dos mais radicais, sem dúvida, 1
      que ocorreram na cultura ocidental,
      para que se desfizesse a positividade do saber clássico
      e se constituísse uma positividade de que, por certo,
      não saímos inteiramente.”

      As palavras e as coisas:
      uma arqueologia das ciências humanas;
      Capítulo VII – Os limites da representação;
      tópico I. A idade da história

      Cronologia da descontinuidade epistemológica de 1775-1825;
      defasagens entre conquistas no pensamento filosófico e respectiva utilização prática

      cronologia básica da descontinuidade epistemológica de 1775-1825

      A descontinuidade epistemológica ocorrida entre 1775 e 1825, segundo o pensamento de Michel Foucault
      uma linha de tempo mostrando os intervalos de tempo entre o desenvolvimento de conhecimento e sua aplicação prática

      O ponto de surgimento do homem em nossa cultura

       “É somente na segunda fase que as palavras, as classes e as riquezas adquirirão um modo de ser que não é mais compatível com o da representação.

      Em contra partida, o que se modifica muito cedo, desde as análises de Adam Smith, de A.-L. de Jussieu ou de Viq d’Azyr, na época de Jones ou de Anquetil-Duperron,

      • é a configuração das positividades: a maneira como, no interior de cada uma,
        • os elementos representativos funcionam uns em relação aos outros, 
        • a maneira como asseguram seu duplo papel de designação e de articulação, 
        • como chegam, pelo jogo das comparações, a estabelecer uma ordem. “

      As palavras e as coisas:
      uma arqueologia das ciências humanas
      Cap.VII – Os limites da representação
      tópico I. A idade da história

      Datas e fases da descontinuidade epistemológica ocorrida entre 1775 e 1825, e surgimento do homem no pensamento em nossa cultura segundo o pensamento de Michel Foucault.

      Alguns autores fundamentos filosóficos do liberalismo, e autores chave do pensamento moderno posicionados em relação à descontinuidade epistemológica de 1775-1825

      Algumas personagens importantes para entendimento da descontinuidade epistemológica de 1775-1825

      Michel Foucault ao delinear sua arqueologia das ciências humanas, propósito do ‘As palavras e as coisas’, com certeza tomou conhecimento do trabalho desses autores.

      • autores clássicos:
        • Adam Smith,
        • John Locke, 
        • David Hume, 
        • J. J. Rousseau, 
        • Jeremy Bentham, 
        • e J. M. Keynes (este, expressamente classificado por Foucault como não moderno)
      • autores modernos:
        • David Ricardo
        • Sigmund Schlomo Freud 
        • entre muitos outros.

      Michel Foucault menciona ainda em destaque, como artífices do pensamento moderno e fontes para o seu próprio pensamento:

      • Georges Cuvier, naturalista, 1769-1832
      • Franz Bopp, linguista, 1792-1867
      • David Ricardo, economista, 1772-1823

      Exemplos de modelos de operações e de organizações sem a possibilidade de fundar as sínteses (do objeto das operações) no espaço da representação e com ponto de inserção da análise de operações no cruzamento entre o dado e o recebido na operação de troca

      Funcionamento
      do pensamento
      funcionamento das operações no pensamento clássico
      Modelo de
      Operação de produção
      relação do modelo de operações de produção de E. S. Buffa
      e o sistema Input-Output
      do LE da figura.
      Modelo da 
      Organização de produção
      Um modelo de organização sob o pensamento clássico, destacando a utilização de múltiplas ordens, ou
      múltiplos sistemas de categorias
      Modelo de operações
      e de organização
      Modelo FEPSC(SIPOC), Six Sigma
      Modelo de  Operação
      contábil-financeira
      O modelo de operação
      no sistema contábil-financeiro
      Modelo da  Organização
      ponto de vista financeiro
      a organização no sistema contábil-financeiro

      Exemplos de modelos de operações e de organizações no pensamento moderno, e assim  com a possibilidade de fundar as sínteses (do objeto das operações) no espaço da representação e com ponto de inserção da análise de operações antes do cruzamento entre o dado e o recebido na operação de troca

      Funcionamento
      de operação do pensamento
      O funcionamento das operações no pensamento moderno
      Modelo de
      Operação de produção
      relação entre o modelo descritivo da produção do Kanban e ‘essa maneira moderna de conhecer empiricidades’
      Modelo da 
      Organização de produção
      o modelo de organização ‘Mapa da atividade semicondutores’, da Reengenharia, o modelo de operações do Kanban e o modelo moderno de operações
      O modelo descritivo da produção do Kanban operação de
      instanciamento de representação
      O mapa da atividade semicondutores da Texas Instruments: modelo de organização
      do movimento Reengenharia

      O espaço interior do Triedro dos saberes – habitat das ciências humanas, com modelos situados no espectro de modelos no segmento para além do objeto

      Assim, estes três pares,

      • função e norma,
      • conflito e regra,
      • significação e sistema,

      cobrem, por completo, o domínio inteiro do conhecimento do homem. 

      Mas, qualquer que seja a natureza da análise e o domínio a que ela se aplica, tem-se um critério formal para saber o que é

      • do nível da psicologia,
      • da sociologia
      • ou da análise das linguagens

      é a escolha do modelo fundamental e a posição dos modelos secundários que permitem saber em que momento

      • se “psicologiza” ou se “sociologiza” no estudo das literaturas e dos mitos, em que momento se faz, em psicologia, decifração de textos ou análise sociológica. 

      Mas essa superposição de modelos não é um defeito de método. 

      Só há defeito se os modelos não forem ordenados e explicitamente articulados uns com os outros.

      As palavras e as coisas:
      uma arqueologia das ciências humanas;
      Capítulo X  – As ciências humanas;
       III. Os três modelos
      Michel Foucault 

      O Triedro dos saberes: eixos e faces
      espaço das ciências da Vida, do Trabalho e da Linguagem
      O interior ao Triedro dos saberes
      o espaço das Ciências humanas

      Aquém do objeto

      Não há modelos constituintes nesta faixa do espectro, já que nada é constituído na existência durante as operações;

      • o ponto de inserção na análise do fenômeno ‘operações está no cruzamento entre o que é dado e o que é recebido na operação de troca.

      Na configuração do pensamento pressupõe-se que todas as coisas
      existem desde sempre e para sempre,
      e integram o Universo em uma visão única.

      Existem múltiplas ordens que podem ser arbitrariamente escolhidas para cada operação; e em uma mesma organização podem conviver ordens – como diz Foucault – ligeiramente diferentes. Tem-se inúmeras categorias para cada ordem escolhida, e muitas ordens possíveis de serem selecionadas.

      Nada é constituído na existência como resultado das distinções feitas durante as operações nesta faixa do espectro.

      Diante do objeto

      No eixo epistemológico fundamental – ciências da Vida, do Trabalho e da Linguagem, a modelagem em cada área do saber pode ser feita com um modelo constituinte específico e próprio de cada uma delas:

      • em todas, o ponto de inserção na análise do fenômeno ‘operações’ está antes do cruzamento entre o dado e o recebido, e portanto antes da existência destes.

      No que Foucault chama de ‘Região epistemológica Fundamental’ os Modelos constituintes são compostos por pares constituintes, próprios a cada região do saber ou área do conhecimento em que o modelo é feito:

      • Ciências da vida (Biologia):


        função-norma
        ;

      • Ciências do trabalho (Economia):


        conflito-regra;

      • Ciências da Linguagem (Filologia):

        significação-sistema.

      Além do objeto

      No campo das ciências humanas, o modelo constituinte de qualquer uma delas se unifica. 

      Os Modelos constituintes são compostos por uma combinação dos três pares de modelos constituintes das ciências

      • da Vida-(Biologia),
      • do Trabalho-(Economia)
      • e da Linguagem-(Filologia).

      O Modelo constituinte  de cada uma das Ciências Humanas – é uma combinação – ponderada pelo projetista de modelos.

      O modelo composto é uma combinação dos três pares de modelos constituintes: 

      • Ciências da vida  (Biologia):
        função-norma;

        +
        Ciências do trabalho (Economia):

        conflito-regra;
        +
        Ciências da Linguagem (Filologia):
        significação-sistema.

      Sob ciências humanas como:

      • economia política;
      • sociologia,
      • psicologia e psicanálise

      estão modelos compostos, que são combinações ponderadas dos três pares de modelos constituintes das ciências integrantes do eixo epistemológico fundamental.

      Propriedades das operações e organizações modeladas com a paleta de ideias ou elementos de imagem do pensamento moderno, depois de 1825, e no caminho do Instanciamento da representação

      Propriedades das operações e organizações modeladas com a paleta de ideias ou elementos de imagem do pensamento clássico, antes de 1775

      Propriedades das operações e organizações modeladas com a paleta de ideias ou elementos de imagem do pensamento moderno, depois de 1825, e no caminho da Construção da representação

      Carta ao Professor Christian Dunker

      Carta aos Professores Christian Dunker e Vladimir Safatle

      coordenadores do Latesfip – Laboratório de Teorias sociais, Filosofia e Psicanálise da USP

      Prezados Professores 

      Com a intenção de contribuir para o debate da forma o mais fundamentada que posso, coloco em foco dois pontos tomados em dois vídeos do canal Falando nisso:

      • no vídeo Falando nisso – 150: Signo, significante e significado de 08/10/2017, vejo em destaque um movimento no pensamento de Lacan:
        • que parte do incômodo dele com a base fundamental da psicanálise de Freud, que ele via sediada na representação
        • e vai até a decisão por ele tomada de criar uma nova psicanálise, no campo da linguagem usando conceitos atinentes à fala, e agora desde fora da representação
      • no vídeo Falando nisso – 254: Neoliberalismo e sofrimento de 31/08/2019, noto que não são feitos questionamentos desse mesmo teor do movimento de pensamento feito por Lacan, porque faltam verificações sobre quais sejam as bases em que se sustentam cada uma das teorias, modelos e sistemas relacionados ao liberalismo e neoliberalismo (com variantes), em todo o período abrangido na discussão, quanto a estarem na representação ou fora dela. 

      Usando um critério muito amplo para identificação e comparação de modelos inclusive quanto às suas bases, definido com a ajuda de Michel Foucault no livro ‘As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciências humanas’, é possível afirmar que sim, existem, no período histórico coberto pelo vídeo 254, teorias, modelos e sistemas construídos sobre essas duas opções de embasamento – na e desde fora da representação; e há ocorrências de modelos assim em todas as áreas do conhecimento atingindo todo o espaço do saber em nossa cultura.

      Os links abaixo mostram exemplos de teorias, modelos e sistemas – na chamada área técnica e na filosofia – e em cada uma, modelos com esses dois embasamentos: base na representação e base fora da representação, cujas ocorrências estão nesse período histórico de tempo, 

      “Assim esses três pares, função e norma,, conflito e regra, significação e sistema, cobrem, por completo, o domínio inteiro do conhecimento do homem.” As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciências humanas; Cap. X – As ciências humanas; tópico III. Os três modelos 

      No vídeo 150 estão em destaque os dois conceitos para inconsciente, nas psicanálises de Freud e de Lacan.

      • para a psicanálise de Freud o inconsciente é uma instância capaz de representação das coisas; (veja exemplos desse tipo de modelo nos itens 1.a e 2.a )
        • essa visão do que seja o inconsciente em Freud combina perfeitamente bem com a visão de operações metaforicamente imaginadas como um processamento de informações, construídas sobre a estrutura input-output com elemento central Processo – um verbo, ladeado por Entradas que se transformam em Saídas.  Sobre esse tipo de verbo Foucault diz o seguinte:

      “A única coisa que o verbo [esse tipo de verbo] afirma é a coexistência de duas representações: por exemplo, a do verde e da árvore, a do homem e da existência ou da morte; é por isso que o tempo dos verbos não indica aquele em que as coisas existiram no absoluto, mas um sistema relativo de anterioridade ou de simultaneidade das coisas entre si. As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciências humanas; Cap. IV – Falar; tópico III. A teoria do verbo  

      • em Lacan o inconsciente é estruturado como uma linguagem e é uma forma social, o efeito das trocas sociais, estas, simbólicas. (veja exemplos desse tipo de modelo nos itens 1.b e 2.b)
        • essa visão do inconsciente em Lacan combina perfeitamente bem com a nova forma de reflexão assinalada por Foucault como tendo surgido na virada dos séculos XVIII para o XIX:

      “Instaura-se uma forma de reflexão bastante afastada do cartesianismo e da análise kantiana, em que está em questão, pela primeira vez, o ser do homem, nessa dimensão segundo a qual o pensamento se dirige ao impensado e com ele se articula.” As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciências humanas; Cap. IX – O homem e seus duplos; tópico V. O “cogito” e o impensado.

      Esta forma de reflexão tem como elemento central também um verbo, mas de um novo tipo, que figura como elemento central do princípio dual de trabalho de David ricardo  chamado por ele de Forma de produção. 

      “É preciso, portanto, tratar esse verbo como um ser misto, [Forma de produção, este, um tipo de verbo mais ao agrado de Lacan] ao mesmo tempo palavra entre as palavras, preso às mesmas regras, obedecendo como elas às leis de regência e de concordância; e depois, em recuo em relação a elas todas, numa região que não é aquela do falado mas aquela donde se fala. As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciências humanas; Cap. IV – Falar; tópico III. A teoria do verbo

      A propósito da grande importância das ‘operações de troca’ e da própria ‘troca’ como conceito, há no texto de Foucault, (veja ‘As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciências humanas. Cap. VI – Trocar; tópico V. A formação de valor), esclarecimento importante sobre a operação de troca em sua complexidade bem como sua relação com a linguagem em duas diferentes configurações:

      Dependendo da visão que temos do fenômeno como um todo, podemos posicionar o início da operação de troca:

      1. no ato mesmo da troca, isto é, ‘no ponto de cruzamento entre o que é dado e o que é recebido, no exato momento da disponibilidade simultânea dos dois objetos da troca;
        • neste caso a operação transcorre no Circuito das trocas’, ou ‘Mercado‘ contido no domínio do Discurso e da Representação
        • toda a essência da linguagem está colocada e encerrada na proposição;
      2. ou em um ponto anterior ao momento da troca, numa prospecção da possibilidade futura dessa operação, investigando não propriamente a troca, mas a permutabilidade, ou a ocorrência de uma condição primeira para que a troca, possa vir a ocorrer;
        •  neste caso a operação transcorre no ‘Lugar de nascimento do que é empírico’ espaço integrado por dois sub-espaços, cada um deles em um domínio distinto:
          • o ‘Lugar desde onde se fala’, no interior do domínio do Pensamento e da língua;
          • e o ‘Lugar do falado’, no interior do domínio do ‘Discurso e da Representação’.
        • e a essência da linguagem, o valor carregado na proposição, terá origem desde fora da linguagem:
          • a) através das designações primitivas; 
          • b) e da linguagem de ação ou raiz
        • e toda a etapa de Construção da representação sob o pensamento moderno, está incluída na visão de operações ampliando sobremaneira o seu escopo.

      Para um paralelo rápido entre esse movimento do pensamento feito por Lacan e a filosofia de Foucault:

      em As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciências humanas; 
      Cap. 8 – Trabalho, Vida e Linguagem; tópico II – Ricardo

      “A atividade dos homens
      e o valor das coisas 
      comunicavam-se
      no elemento transparente
      da representação. 

      este, o espaço onde Lacan via a psicanálise de Freud: ponto de início de operações no cruzamento entre o que é dado e o que é recebido em uma operação de troca

      É aí que a análise de Ricardo
      encontra seu lugar
      e a razão de sua importância decisiva. 
      Ela não é a primeira
      a organizar um lugar importante
      para o trabalho no jogo da economia;
      mas faz explodir a unidade da noção,
      e distingue, pela primeira vez,
      de uma forma radical,

      a disposição de Lacan com relação à psicanálise de Freud prognosticando uma outra psicanálise modelada em outras bases que não a representação pode ser comparada à disposição pioneira de David Ricardo, em 1817, que segundo Michel Foucault deu origem à economia política

      • essa força, esse esforço, esse tempo do operário que se compram e se vendem, 

      homem no papel de
      elemento do que é empírico
      viabilizando a Forma de produção como mão de obra nos elementos de suporte na experiência, nas atividades;

      • e essa atividade que está
        na origem do valor das coisas.

      homem no papel de
      raiz e fundamento de toda positividade
      como sujeito de operações de construção de representações novas para empiricidades objeto.

      Ter-se-á pois, 

      • (1) por um lado,
        o trabalho que os operários oferecem,
        que os empresários aceitam ou demandam e que é retribuído pelos salários; 
      • (2) por outro, ter-se-á
        o trabalho que extrai os metais,
        produz os bens, fabrica os objetos,
        transporta as mercadorias
        e forma assim valores permutáveis
        que antes dele não existiam
        e sem ele não teriam aparecido. 

      A visão completa expandida de operações agora preparadas para abranger:

      • (1) a etapa do Instanciamento de representações anteriormente construídas;
      • (2) a etapa de Construção da representação;

      “A partir de Ricardo,
      o trabalho, 

      desnivelado em relação à representação, 
      e instalando-se em uma região
      onde ela não tem mais domínio, 
      organiza-se
      segundo uma causalidade que lhe é própria.”

      Parafraseando Foucault

      A partir de Lacan,
      a psicanálise,
      desnivelada em relação à representação,
      e instalando-se em uma região
      onde ela não tem mais domínio,
      organiza-se segundo uma causalidade
      que lhe é própria.

      A percepção de Lacan, em 1953-1960 sobre a psicanálise de Freud, que ele via baseada na representação, consistente com a visão de David Ricardo, de 1817, este em alteração do modo como Adam Smith, de 1776, via trabalho, vislumbrando esse conceito também desde fora da representação.

      As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciências humanas; 
      Cap. 8 – Trabalho, Vida e Linguagem;
      tópico II – Ricardo

      Veja também os seguintes links:

      Psicanálise e etnologia – APC

      V. Psicanálise, etnologia

      [da psicanálise]

      “A psicanálise e a etnologia ocupam, no nosso saber, um lugar privilegiado. 

      Não certamente 

      • porque teriam, melhor que qualquer outra ciência humana, embasado sua positividade e realizado enfim o velho projeto de serem verdadeiramente científicas; 

      antes porque, 

      • nos confins de todos os conhecimentos sobre o homem, elas formam seguramente um tesouro inesgotável de experiências e de conceitos, mas, sobretudo, um perpétuo princípio de inquietude, de questionamento, de crítica e de contestação daquilo que, por outro lado, pôde parecer adquirido. 

      Ora, há para isto uma razão que tem a ver com o objeto que respectivamente cada uma se atribui, mas tem mais ainda a ver com a posição que ocupam e com a função que exercem no espaço geral da epistémê. 

      A psicanálise, com efeito, mantém-se o mais próximo possível desta função crítica acerca da qual se viu que era interior a todas as ciências humanas.

      Dando-se por tarefa fazer falar através da consciência o discurso do inconsciente, 

      a psicanálise avança na direção desta região fundamental onde se travam as relações entre a representação e a finitude. 

      Enquanto todas as ciências humanas

      •  só se dirigem ao inconsciente virando-lhe as costas, esperando que ele se desvele à medida que se faz, como que por recuos, a análise da consciência, 

      já a psicanálise 

      • aponta diretamente para ele, de propósito deliberado – 
        • não em direção ao que deve explicitar-se pouco a pouco na iluminação progressiva do implícito, 
        • mas em direção ao que está aí e se furta, que existe com a solidez muda de uma coisa, de um texto fechado sobre si mesmo, ou de uma lacuna branca num texto visível e que assim se defende. 

      Não há que supor que o empenho freudiano seja o componente de uma interpretação do sentido e de uma dinâmica da resistência ou da barreira; 

      • seguindo o mesmo caminho que as ciências humanas, 

      mas com o olhar voltado em sentido contrário, 

      • a psicanálise se encaminha 

      em direção ao momento –inacessível, por definição, a todo conhecimento teórico do homem, a toda apreensão contínua em termos 

            • de significação
            • de conflito 
            • ou de função

      – em que os conteúdos da consciência se articulam com,
      ou antes, ficam abertos para a finitude do homem. 

      Isto quer dizer que, 

      • ao contrário das ciências humanas que, 
        • retrocedendo embora em direção ao inconsciente, 
          • permanecem sempre no espaço do representável, 
      • a psicanálise 
        • avança para transpor a representação, extravasá-la do lado da finitude
        • e fazer assim surgir, lá onde se esperavam 
          • as funções portadoras de suas normas
          • os conflitos carregados de regras 
          • e as significações formando sistema
        • o fato nu de que pode haver 
          • sistema (portanto, significação), 
          • regra (portanto, oposição), 
          • norma (portanto, função). 

      E, nessa região onde a representação fica em suspenso, à margem dela mesma, aberta, de certo modo ao fechamento da finitude, desenham-se as três figuras pelas quais 

      • a vida, com suas funções e suas normas, vem fundar-se na repetição muda da Morte, 
      • os conflitos e as regras, na abertura desnudada do Desejo, 
      • as significações e os sistemas, numa linguagem que é ao mesmo tempo Lei. “

      [a etnologia)]

      Sabe-se como psicólogos e filósofos denominaram tudo isso: mitologia freudiana. 

      Era realmente necessário que este empenho de Freud assim lhes parecesse; 

      • para um saber que se aloja no representável, 
      • aquilo que margeia e define, em direção ao exterior, a possibilidade mesma da representação 
      • não pode ser senão mitologia. 

      Mas, quando se segue, no seu curso, o movimento da psicanálise, ou quando se percorre o espaço epistemológico em seu conjunto, vê-se bem que estas figuras – imaginárias, sem dúvida, para um olhar míope – são as próprias formas da finitude, tal como é analisada no pensamento moderno: 

      não é a morte aquilo a partir de que o saber em geral é possível de sorte tal que ela seria, do lado da psicanálise, a figura desta reduplicação empírico-transcendental que caracteriza na finitude o modo de ser do homem? 

      Não é o desejo o que permanece sempre impensado no coração do pensamento? 

      E esta Lei-Linguagem (ao mesmo tempo fala e sistema da fala) que a psicanálise se esforça por fazer falar, não é aquilo em que toda significação assume uma origem mais longínqua que ela mesma, mas também aquilo cujo retorno é prometido no ato mesmo da análise? 

      É bem verdade que nem esta Morte, nem este Desejo, nem esta Lei podem jamais encontrar-se no interior do saber que percorre em sua positividade o domínio empírico do homem; mas a razão disto é que designam as condições de possibilidade de todo saber sobre o homem. 

      E precisamente 

      • quando esta linguagem se mostra em estado nu, 
        • mas se furta ao mesmo tempo para fora de toda significação como se fosse um grande sistema despótico e vazio, 
      • quando o Desejo reina em estado selvagem, 
        • como se o rigor de sua regra tivesse nivelado toda oposição, 
      • quando a Morte domina toda função psicológica e se mantém acima dela 
        • como sua norma única e devastadora 

      então reconhecemos a loucura em sua forma presente, a loucura tal como se dá à experiência moderna, como sua verdade e sua alteridade. 

      Nessa figura empírica, e contudo estranha a (e em) tudo o que podemos experimentar, nossa consciência 

      • não encontra mais, como no século XVI, o vestígio de um outro mundo; 
      • ela não constata mais o vaguear da razão extraviada; 
      • ela vê surgir o que nos é perigosamente o mais próximo – como se subitamente se perfilasse, em relevo, o recôncavo mesmo de nossa existência; 

      a finitude, a partir da qual nós somos, pensamos e sabemos, está subitamente diante de nós, existência a um tempo real e impossível, pensamento que não podemos pensar, objeto para nosso saber mas que a ele se furta sempre. 

      É por isso que a psicanálise encontra nesta loucura por excelência – a que os psiquiatras chamam esquizofrenia – o seu íntimo, o seu mais invencível tormento: pois nesta loucura se dão, sob uma forma absolutamente manifesta e absolutamente retraída, as formas da finitude em direção à qual, de ordinário, ela avança indefinidamente (e no interminável), a partir do que lhe é voluntária-involuntariamente oferecido na linguagem do paciente. 

      De sorte que a psicanálise “reconhece-se aí”, quando é colocada diante destas mesmas psicoses às quais, no entanto (ou antes, por essa mesma razão) ela quase não tem acesso: como se a psicose expusesse numa iluminação cruel e oferecesse de um modo demasiado longínquo, mas justamente demasiado próximo, aquilo em cuja direção a análise deve lentamente caminhar. 

      Mas esta relação da psicanálise com o que torna possível todo saber em geral na ordem das ciências humanas tem ainda uma outra consequência. 

      É que ela não pode desenvolver-se como puro conhecimento especulativo ou teoria geral do homem. Não pode atravessar o campo inteiro da representação, tentar contornar suas fronteiras, apontar para o mais fundamental, na forma de uma ciência empírica construída a partir de observações cuidadosas; 

      essa travessia só pode ser feita no interior de uma prática em que não é apenas o conhecimento que se tem do homem que está empenhado, mas o próprio homem – 

      • o homem com essa Morte que age no seu sofrimento, 
      • esse Desejo que perdeu seu objeto 
      • e essa linguagem pela qual, através da qual se articula silenciosamente sua Lei. 

      Todo saber analítico é, pois, invencivelmente ligado a uma prática, a este estrangulamento da relação entre dois indivíduos, em que um escuta a linguagem do outro, libertando assim seu desejo do objeto que ele perdeu (fazendo-o entender que o perdeu) e libertando-o da vizinhança sempre repetida da morte (fazendo-o entender que um dia morrerá). 

      É por isso que nada é mais estranho à psicanálise que alguma coisa como uma teoria geral do homem ou uma antropologia. 

      Assim como 

      • a psicanálise se coloca na dimensão do inconsciente 
        (dessa animação crítica que inquieta interiormente todo o domínio das ciências humanas), 
      • a etnologia se coloca na da historicidade 
        (desta perpétua oscilação que faz com que as ciências humanas sejam sempre contestadas, do exterior, por sua própria história). 

      É sem dúvida difícil sustentar que a etnologia tem uma relação fundamental com a historicidade, já que ela é tradicionalmente o conhecimento dos povos sem história; em todo o caso, ela estuda nas culturas (ao mesmo tempo por escolha sistemática e por falta de documentos) antes as invariantes de estrutura que a sucessão dos acontecimentos. 

      Suspende o longo discurso “cronológico” pelo qual tentamos refletir nossa própria cultura no interior dela mesma, para fazer surgir correlações sincrônicas em outras formas culturais. E, contudo, a própria etnologia só é possível a partir de uma certa situação, de um acontecimento absolutamente singular, em que se acham empenhadas a um tempo a nossa historicidade e a de todos os homens que podem constituir o objeto de uma etnologia (ficando entendido que podemos perfeitamente fazer a etnologia de nossa própria sociedade): a etnologia se enraíza, com efeito, numa possibilidade que pertence propriamente à história de nossa cultura, mais ainda, à sua relação fundamental com toda história, e que lhe permite ligar-se às outras culturas à maneira da pura teoria. 

      Há uma certa posição da ratio ocidental que se constituiu na sua história e que funda a relação que ela pode ter com todas as outras sociedades, mesmo com aquela sociedade em que ela historicamente apareceu. Isto não quer dizer, evidentemente, que a situação colonizadora seja indispensável à etnologia: nem a hipnose, nem a alienação do doente na personagem fantasmática do médico são constitutivos da psicanálise; mas, assim como esta só pode desenvolver-se na violência calma de uma relação singular e da transferência que ela requer, do mesmo modo a etnologia só assume suas dimensões próprias na soberania histórica – sempre retida, mas sempre atual – do pensamento europeu e da relação que o pode confrontar com todas as outras culturas e com ele próprio. 

      Mas essa relação (na medida em que a etnologia não busca apagá- Ia, mas, ao contrário, escava-a, instalando-se definitivamente nela) não a encerra nos jogos circulares do historicismo; coloca-a, antes, em posição de contornar seu perigo, invertendo o movimento que os faz nascer: com efeito, em vez de reportar os conteúdos empíricos, tais como psicologia, a sociologia ou a análise das literaturas e dos mitos podem fazê-los aparecer, à positividade histórica do sujeito que os percebe, a etnologia coloca as formas singulares de cada cultura, as diferenças que as opõem às outras, os limites pelos quais se define e se fecha sobre sua própria coerência na dimensão em que se estabelecem suas relações com cada uma das três grandes positividades (a vida, a necessidade e o trabalho, a linguagem); 

      assim, a etnologia mostra como se faz numa cultura 

      • a normalização das grandes funções biológicas, 
      • as regras que tornam possíveis ou obrigatórias todas as formas de troca, de produção e de consumo, 
      • o sistemas que se organizam em torno ou sobre o modelo das estruturas linguísticas. 

      A etnologia avança, pois, em direção à região onde as ciências humanas se articulam com aquela biologia, com aquela economia, com aquela filologia e aquela linguística acerca das quais se viu de que altura as dominavam: é por isto que o problema geral de toda etnologia é exatamente aquele das relações (de continuidade ou de descontinuidade) entre a natureza e a cultura. 

      Mas, neste tipo de interrogação, o problema da história se acha invertido: pois trata-se então de determinar, 

      • segundo os sistemas simbólicos utilizados, 
      • segundo as regras prescritas, 
      • segundo as normas funcionais escolhidas e estabelecidas, 

      de que espécie de devir histórico cada cultura é suscetível; ela busca retomar, desde raiz, o modo de historicidade que aí pode aparecer, as razões pelas quais a história aí será necessariamente cumulativa ou circular, progressiva ou submetida a oscilações reguladoras, capaz de ajustamentos espontâneos ou submetida a crises. 

      E assim se acha esclarecido o fundamento deste fluir histórico em cujo interior as diferentes ciências humanas assumem sua validade e podem ser aplicadas a uma dada cultura e numa dada região sincrônica. 

      A etnologia, como a psicanálise, interroga 

      • não o próprio homem tal como pode aparecer nas ciências humanas, 
      • mas a região que torna possível, em geral, um saber sobre o homem; 

      como a psicanálise, ela atravessa todo o campo desse saber num movimento que tende a atingir seus limites. 

      Mas a psicanálise 

      • se serve da relação singular da transferência para descobrir, nos confins exteriores da representação, o Desejo, a Lei, a Morte que desenham, no extremo da linguagem e da prática analíticas, as figuras concretas da finitude; 

      já a etnologia 

      • aloja-se no interior da relação singular que a ratio ocidental estabelece com todas as outras culturas; e, a partir daí, ela traça o contorno das representações que os homens, numa civilização, se podem dar de si mesmos, de sua vida, de suas necessidades, das significações depositadas em sua linguagem; e ela vê surgir, por trás destas representações, 
        • as normas a partir das quais os homens cumprem as funções da vida, mas repelindo sua pressão imediata, 
        • as regras através das quais experimentam e mantêm suas necessidades, 
        • os sistemas sobre cujo fundo toda significação lhes é dada. 

      O privilégio da etnologia e da psicanálise, a razão de seu profundo parentesco e de sua simetria – não devem, pois, ser buscados numa certa preocupação que uma e outra teriam em penetrar o profundo enigma, a parte mais secreta da natureza humana; de fato, o que se espelha no espaço de seu discurso é muito mais o a priori histórico de todas as ciências humanas – as grandes cesuras, os sulcos, as partilhas que, na epistémê ocidental, desenharam o perfil do homem e o dispuseram para um saber possível. 

      Era, portanto, muito necessário que ambas fossem ciências do inconsciente: 

      • não porque atingem no homem o que está por sob a sua consciência, 
      • mas porque se dirigem ao que, fora do homem, permite que se saiba, com um saber positivo, o que se dá ou escapa à sua consciência. 

      Pode-se compreender, a partir daí, um certo número de fatos decisivos. 

      E, no primeiro plano, o seguinte: 

      que a psicanálise e a etnologia não são tanto ciências humanas ao lado das outras, 

      mas percorrem o domínio inteiro destas, o animam em toda a sua superfície, expandem por toda a parte seus conceitos, podem propor em todos os lugares seus métodos de decifração e suas interpretações. 

      Nenhuma ciência humana pode assegurar-se de nada lhes dever, nem de ser totalmente independente do que elas puderam descobrir, nem estar certa de não depender delas de uma forma ou de outra. 

      Porém seu desenvolvimento tem a particularidade de que 

      • por mais que pretendam ter um “alcance” quase universal, 
      • nem por isso se aproximam de um conceito geral do homem: 
        • em nenhum momento elas tendem a delimitar o que nele poderia haver de específico, 
        • de irredutível, 
        • de uniformemente válido em toda a parte onde ele é dado à experiência. 

      A ideia de uma “antropologia psicanalítica”, a ideia de uma “natureza humana” restituída pela etnologia não passam de pretensões piegas. Não apenas elas podem dispensar o conceito de homem, como ainda não podem passar por ele, pois se dirigem sempre ao que constitui seus limites exteriores. 

      Em relação às “ciências humanas”, a psicanálise e a etnologia são antes “contraciências”; 

      • o que não quer dizer que sejam menos “racionais” ou “objetivas” que as outras, 
      • mas que elas as assumem no contra-fluxo, 
      • reconduzem-nas a seu suporte epistemológico 
      • e não cessam de “desfazer” esse homem que, nas ciências humanas, faz e refaz sua positividade. 

      Compreende-se, enfim, que psicanálise e etnologia sejam estabelecidas uma em face da outra, numa correlação fundamental: desde Totem e tabu, a instauração de um campo que lhes seria comum, a possibilidade de um discurso que poderia ir de uma à outra sem descontinuidade, a dupla articulação 

      • da história dos indivíduos com o inconsciente das culturas 
      • e da historicidade destas com o inconsciente dos indivíduos 

      abrem, sem dúvida, os problemas mais gerais que se podem levantar a propósito do homem. 

      Adivinha-se o prestígio e a importância de uma etnologia que, 

      • em vez de se definir primeiramente, como o fez até então, pelo estudo das sociedades sem história, 
      • buscasse deliberadamente seu objeto do lado dos processos inconscientes que caracterizam o sistema de uma dada cultura;

      ela poria em jogo, assim, 

      • a relação da historicidade, relação essa constitutiva de toda etnologia em geral, 
      • no interior da dimensão em que sempre se desenrolou a psicanálise. 

      Assim fazendo, ela não assimilaria os mecanismos e as formas de uma sociedade à pressão e à repressão de fantasmas coletivos, reencontrando deste modo, mas a uma escala mais larga, o que a análise pode descobrir ao nível dos indivíduos; 

      • definiria como sistema dos inconscientes culturais o conjunto das estruturas formais que tornam significantes os discursos míticos, 
      • dão às regras que regem as necessidades sua coerência e sua imprescindibilidade, 
      • fundam, não na natureza, não nas puras funções biológicas, as normas de vida. 

      Adivinha-se a importância simétrica de uma psicanálise que, por seu lado, encontrasse a dimensão de uma etnologia, não pela instauração de uma “psicologia cultural”, não pela explicação sociológica de fenômenos manifestados ao nível dos indivíduos, mas pela descoberta de que também o inconsciente possui – ou, antes de que ele próprio é uma certa estrutura formal. 

      Por aí etnologia e psicanálise viriam, não a se superpor nem mesmo talvez a se reunir, mas a se cruzar como duas linhas diferentemente orientadas: 

      • uma, indo da elisão aparente do significado na neurose à lacuna no sistema significante por onde esta vem a manifestar-se; 
      • a outra, indo da analogia dos significados múltiplos (nas mitologias, por exemplo) à unidade de uma estrutura, cujas transformações formais liberariam a diversidade de narrativas. 

      Não seria, portanto, ao nível das relações entre indivíduos e sociedade, como frequentemente se acreditou, que a psicanálise e a etnologia poderiam articular-se uma com a outra; 

      • não é porque o indivíduo faz parte de seu grupo, 
      • não é porque uma cultura se reflete e se exprime de um modo mais ou menos refratado no indivíduo, 

      que essas duas formas de saber são vizinhas. 

      Na verdade, elas têm somente um ponto comum, porém essencial e inevitável: é aquele em que elas se cortam em ângulo reto; pois a cadeia significante pela qual se constitui a experiência única do indivíduo é perpendicular ao sistema formal a partir do qual se constituem as significações de uma cultura; 

      • a cada instante a estrutura própria da experiência individual encontra nos sistemas da sociedade certo número de escolhas possíveis (e de possibilidades excluídas); 

      inversamente,

      • as estruturas sociais encontram, em cada um de seus pontos de escolha, certo número de indivíduos possíveis (e outros que não o são) – 
      • assim como na linguagem a estrutura linear torna sempre possível, em dado momento, a escolha entre várias palavras ou vários fonemas (mas exclui todos os outros). 

      Forma-se, então, o tema de uma teoria pura da linguagem, que daria à etnologia e à psicanálise assim concebidas seu modelo formal. Haveria assim uma disciplina que poderia cobrir, no seu único percurso, 

      • tanto esta dimensão da etnologia que refere as ciências humanas às positividades que as margeiam, 
      • quanto esta dimensão da psicanálise que refere o saber do homem à finitude que o funda. 

      Com a linguística, 

      ter-se-ia uma ciência perfeitamente fundada na ordem das positividades exteriores ao homem (pois que se trata de linguagem pura) e que, atravessando todo o espaço das ciências humanas, atingiria a questão da finitude (pois que é através da linguagem e nela que o pensamento pode pensar: de sorte que ela é, em si mesma, uma positividade que vale como o fundamental). 

      Acima da etnologia e da psicanálise, mais exatamente intrincada com elas, uma terceira “contraciência” viria percorrer, animar, inquietar todo o campo constituído das ciências humanas e, extravasando-o, tanto do lado das positividades quanto do lado da finitude, formaria sua contestação mais geral. Como as duas outras contraciências, ela faria aparecer, num modo discursivo, as formas-limites das ciências humanas; como elas, alojaria sua experiência nestas regiões iluminadas e perigosas onde o saber do homem trava, sob as espécies do inconsciente e da historicidade, sua relação com o que as torna possíveis. 

      Todas as três põem em risco, “expondo-o”, aquilo mesmo que permitiu ao homem ser conhecido. 

      Assim se tece sob nossos olhos o destino do homem, mas tece-se às avessas; nestes estranhos fusos, é ele reconduzido às formas de seu nascimento, à pátria que o tornou possível. 

      Mas não é essa uma forma de conduzi-Io ao seu fim? 

      Pois a linguística, tanto quanto a psicanálise ou a etnologia, não fala do próprio homem. 

      Dir-se-á talvez que, desempenhando este papel, a linguística não faz mais que retomar as funções que foram outrora as da biologia ou da economia quando, no século XIX e no começo do século XX, se pretendeu unificar as ciências humanas sob conceitos tomados à biologia ou à economia.

      Mas a linguística arrisca-se a ter um papel muito mais fundamental. E por várias razões. 

      Primeiro porque ela permite – esforça-se, ao menos, por tornar possível – a estruturação dos próprios conteúdos; 

      • não é, pois, uma retomada teórica dos conhecimentos adquiridos alhures, interpretação de uma leitura já feita dos fenômenos; 
      • não propõe uma “versão linguística” de fatos observados nas ciências humanas, é o princípio de uma decifração primeira; 
      • sob um olhar armado por ela, as coisas só acedem à existência na medida em que podem formar os elementos de um sistema significante. 

      A análise linguística é mais uma percepção que uma explicação: isso quer dizer que é constitutiva de seu objeto mesmo. 

      Ademais, eis que, por esta emergência da estrutura (como relação invariante num conjunto de elementos), a relação das ciências humanas com as matemáticas acha-se novamente aberta e segundo uma dimensão totalmente nova; 

      • não se trata mais de saber se se podem quantificar resultados, ou se os comportamentos humanos são suscetíveis de entrar no campo de uma probabilidade mensurável; 
      • a questão que se coloca é a de saber se se pode utilizar sem jogo de palavras a noção de estrutura, 
      • ou, ao menos, se é da mesma estrutura que se fala em matemáticas e nas ciências humanas; 

      questão que é central, se se quiser conhecer as possibilidades e os direitos, as condições e os limites de uma formalização justificada; vê-se que a relação das ciências humanas com o eixo das disciplinas formais e a priori – relação que não fora essencial até então e se torna fundamental agora que, no espaço das ciências humanas, surge igualmente sua relação com a positividade empírica da linguagem e com a analítica da finitude; os três eixos que definem o volume próprio às ciências do homem tornam-se assim visíveis, e quase simultaneamente, nas questões que elas colocam. 

      Enfim, a importância da linguística e de sua aplicação ao conhecimento do homem faz reaparecer, em sua insistência enigmática, a questão do ser da linguagem acerca da qual se viu quanto estava ligada aos problemas fundamentais de nossa cultura. 

      Questão que a utilização cada vez mais ampliada das categorias linguísticas avoluma ainda mais, uma vez que é necessário doravante indagar o que deve ser a linguagem, para assim estruturar o que não é, todavia, por si mesmo, nem palavra nem discurso, e para articular-se com as formas puras do conhecimento. 

      Por um caminho muito mais longo e muito mais imprevisto, somos reconduzidos a esse lugar que Nietzsche e Mallarmé haviam indicado quando um deles perguntara: Quem fala? e o outro vira cintilar a resposta na própria Palavra. A interrogação sobre o que é a linguagem em seu ser reassume, ainda uma vez, seu tom imperativo. 

      Neste ponto em que a questão da linguagem ressurge com uma tão forte superdeterminação e em que ela parece investir, por todas as partes, a figura do homem 

      (esta figura que justamente tomara outrora
      o lugar do Discurso clássico),

       a cultura contemporânea está se fazendo numa parte importante de seu presente e talvez de seu porvir. 

      De um lado aparecem, como que subitamente, muito próximas de todos estes domínios empíricos, questões que pareciam, até então, bastante afastadas deles: estas questões são aquelas de uma formalização geral do pensamento e do conhecimento; e no momento em que se julgava que elas ainda estavam votadas tão somente à relação entre a lógica e as matemáticas, eis que elas se abrem à possibilidade e também à tarefa de purificar a velha razão empírica, pela constituição de linguagens formais, e de exercer uma segunda crítica da razão pura, a partir de formas novas do a priori matemático. 

      Entrementes, na outra extremidade de nossa cultura, a questão da linguagem se acha confiada àquela forma de palavra que, sem dúvida, não cessou de colocá-Ia, mas que, pela primeira vez, coloca-a a si mesma. 

      Que a literatura de nossos dias seja fascinada pelo ser da linguagem – isso não é nem o sinal de um fim nem a prova de uma radicalização: é um fenômeno que enraíza sua necessidade numa bem vasta configuração em que se desenha toda a nervura de nosso pensamento e de nosso saber. 

      Mas se a questão das linguagens formais faz valer a possibilidade ou a impossibilidade de estruturar os conteúdos positivos, uma literatura votada à linguagem faz valer, em sua vivacidade empírica, as formas fundamentais da finitude. 

      Do interior da linguagem experimentada e percorrida como linguagem, no jogo de suas possibilidades estiradas até seu ponto extremo, 

      • o que se anuncia é que o homem é “finito” e que, 
      • alcançando o ápice de toda palavra possível, não é ao coração de si mesmo que ele chega, 
      • mas às margens do que o limita: 
        • nesta região onde ronda a morte, 
        • onde o pensamento se extingue, 
        • onde a promessa da origem recua indefinidamente. 

      Era imprescindível que esse novo modo de ser da literatura fosse desvelado em obras como as de Artaud ou de Roussel – e por homens como eles; 

      • em Artaud, a linguagem, recusada como discurso e retomada na violência plástica do choque, e remetida ao grito, ao corpo torturado, à materialidade do pensamento, à carne; 
      • em Roussel, a linguagem, pulverizada por um acaso sistematicamente manejado, conta indefinidamente a repetição da morte e o enigma das origens desdobradas. 

      E, como se essa prova das formas da finitude na linguagem não pudesse ser suportada, ou como se ela fosse insuficiente (talvez sua insuficiência mesma fosse insuportável), foi no interior da loucura que ela se manifestou – oferecendo-se assim a figura da finitude na linguagem (como o que nela se desvela), mas também antes dela, aquém dela, como esta região informe, muda, não-significante onde a linguagem pode liberar-se. 

      E é realmente neste espaço assim posto a descoberto que a literatura, com o surrealismo primeiramente (mas sob uma forma ainda bem travestida), depois, cada vez mais puramente, com Kafka, com Bataille, com Blanchot, se deu como experiência: como experiência da morte (e no elemento da morte), do pensamento impensável (e na sua presença inacessível), da repetição (da inocência originária, sempre lá, no extremo mais próximo da linguagem e sempre o mais afastado); como experiência da finitude (apreendida na abertura e na coerção dessa finitude). 

      Vê-se que este “retorno” da linguagem não tem em nossa cultura valor de interrupção súbita; não é a descoberta irruptiva de uma evidência há muito escondida; não é a marca de uma dobra do pensamento sobre si mesmo, no movimento pelo qual ele se liberta de todo conteúdo, nem de um narcisismo da literatura, liberando-se enfim do que ela teria a dizer para não mais falar senão do fato de que ela é linguagem posta a nu. 

      De fato, trata-se aí do desdobramento rigoroso da cultura ocidental, segundo a necessidade que ela atribuiu a si própria no início do século XIX. 

      Seria falso ver, neste índice geral de nossa experiência a que se pode chamar o “formalismo”, o sinal de uma petrificação, de uma rarefação do pensamento incapaz de reassumir a plenitude dos conteúdos; não seria menos falso colocá-lo de imediato no horizonte de um novo pensamento e de um novo saber. 

      Foi no interior do desenho muito cerrado, muito coerente da epistémê moderna que essa experiência contemporânea encontrou sua possibilidade; foi mesmo ele que, por sua lógica, suscitou-a, constituiu-a de parte a parte e tornou impossível que ela não existisse. 

      O que se passou na época de Ricardo, de Cuvier e de Bopp, esta forma de saber que se instaurou com a economia, a biologia e a filologia, o pensamento da finitude que a critica kantiana prescreveu como tarefa para a filosofia, tudo isto forma ainda o espaço imediato de nossa reflexão. 

      É neste lugar que nós pensamos. 

      E, contudo, a impressão de acabamento e de fim, o sentimento surdo que sustenta, anima nosso pensamento, acalenta-o talvez assim com a facilidade de suas promessas, e que nos faz crer que alguma coisa de novo está em vias de começar, de que apenas se suspeita um leve traço de luz na orla do horizonte – este sentimento e esta impressão talvez não sejam infundados. 

      Dir-se-á que existem, que não cessaram de se formular sempre de novo desde o começo do século XIX; dir-se-á que Hôlderlin, que Hegel, que Feuerbach e Marx já tinham, todos eles, esta certeza de que neles um pensamento e talvez uma cultura findavam, e que, do fundo de uma distância que talvez não fosse invencível, uma outra se aproximava – no recato da aurora, no fulgor do meio-dia, ou no contraste do dia que acaba. 

      Mas esta próxima, esta perigosa iminência cuja promessa hoje tememos, cujo perigo acolhemos, não é, sem dúvida, da mesma ordem. O que este anúncio prescrevia então ao pensamento era estabelecer para o homem uma morada estável nesta terra, donde os deuses se tinham evadido ou desaparecido. 

      Em nossos dias, e ainda aí Nietzsche indica de longe o ponto de inflexão, 

      • não é tanto a ausência ou a morte de Deus que é afirmada, mas sim o fim do homem (este tênue, este imperceptível desnível este recuo na forma da identidade que fazem com que a finitude do homem se tenha tornado o seu fim); 
      • descobre-se então que a morte de Deus e o último homem estão vinculados: não é acaso o último homem que anuncia ter matado Deus, colocando assim sua linguagem, seu pensamento, seu riso no espaço do Deus já morto, mas também se apresentando como aquele que matou Deus e cuja existência envolve a liberdade e a decisão deste assassínio? 

      Assim, o último homem é ao mesmo tempo mais velho e mais novo que a morte de Deus; uma vez que matou Deus, é ele mesmo que deve responder por sua própria finitude; mas, uma vez que é na morte de Deus que ele fala, que ele pensa e existe, seu próprio assassinato está condenado a morrer; deuses novos, os mesmos, já avolumam o Oceano futuro; o homem vai desaparecer. 

      Mais que a morte de Deus – ou antes, no rastro desta morte e segundo uma correlação profunda com ela, o que anuncia o pensamento de Nietzsche é o fim de seu assassino; é o esfacelamento do rosto do homem no riso e o retorno das máscaras; é a dispersão do profundo escoar do tempo, pelo qual ele se sentia transportado e cuja pressão ele suspeitava no ser mesmo das coisas; é a identidade do Retomo do Mesmo e da absoluta dispersão do homem. 

      Durante todo o século XIX, o fim da filosofia e a promessa de uma cultura próxima constituíam, sem dúvida, uma única e mesma coisa, juntamente com o pensamento da finitude e o aparecimento do homem no saber; hoje, o fato de que a filosofia esteja sempre e ainda em via de acabar e o fato de que nela talvez, porém mais ainda fora dela e contra ela, na literatura como na reflexão formal, a questão da linguagem se coloque, provam sem dúvida que o homem está em via de desaparecer. 

      É que toda a epistémê moderna – aquela que se formou por volta do fim do século XVIII e serve ainda de solo positivo ao nosso saber, aquela que constituiu o modo de ser singular do homem e a possibilidade de conhecê-lo empiricamente – toda essa epistémê estava ligada ao desaparecimento do Discurso e de seu reino monótono, ao deslizar da linguagem para o lado da objetividade e ao seu reaparecimento múltiplo. 

      Se essa mesma linguagem surge agora com insistência cada vez maior numa unidade que devemos mas não podemos ainda pensar, não será isto o sinal de que toda essa configuração vai agora deslocar-se, e que o homem está em via de perecer, na medida em que brilha mais forte em nosso horizonte o ser da linguagem? 

      Tendo o homem se constituído quando a linguagem estava votada à dispersão, não vai ele ser disperso quando a linguagem se congrega? 

      E se isto fosse verdade, não seria um erro – um erro profundo, pois que nos esconderia o que cumpre pensar agora – interpretar a experiência atual como uma aplicação das formas da linguagem à ordem do humano? 

      Não seria antes preciso renunciar a pensar o homem, ou, para ser mais rigoroso, pensar mais de perto este desaparecimento do homem – e o solo de possibilidade de todas as ciências do homem – na sua correlação com nossa preocupação com a linguagem? 

      Não se deve admitir que, estando a linguagem novamente aí, o homem retomará àquela existência serena em que outrora o mantivera a unidade Imperiosa do Discurso? 

      O homem fora uma figura entre dois modos de ser da linguagem; ou antes, ele não se constituiu senão no tempo em que a linguagem, após ter sido alojada no interior da representação e como que dissolvida nela, dela só se liberou despedaçando-se: o homem compôs sua própria figura nos interstícios de uma linguagem em fragmentos. 

      Certamente, não se trata aí de afirmações quando muito e questões às quais não é possível responder; é preciso deixá-Ias em suspenso Iá onde elas se colocam, sabendo apenas que a possibilidade de as colocar abre sem dúvida, para um pensamento futuro.

      Comentários

        Influências, inspiração, um roteiro com alterações de rota

        • 0. Influências e inspirações;
          • Humberto Maturana;
          • Vilém Flusser em Filosofia da caixa preta;
          • Michel Foucault em As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciências humanas.

        • 1. Plataforma adotada para exposição de ideias;
          • A figura 2 – Diagrama ontológico, do capítulo Reflexões epistemológicas do livro Cognição, Ciência e Vida cotidiana de Humberto Maturana que é a mesma Figura 2 – O Explicar e a Experiência, do capítulo Linguagem, Emoções e Ética nos afazeres políticos do livro Emoções e linguagem na educação e na política

        com alterações de conteúdo e layout que fizemos.




        Elementos de comparação, um modelo experimental e um passo adiante

        • Funcionamento das operações em modelos feitos sob as configurações de pensamento de antes e de depois da descontinuidade epistemológica de 1775-1825;


        • Sistema Formulador – uma alteração no modelo de dados clássico de um SDGP – Sistema Dedicado à Gestão de Projetos  – como o MS Project 4.0 por exemplo, fazendo com que ele passe a funcionar a partir de banco de dados 9com a linguagem de uso) e com um modelo sim-discriminativo com relação ao elemento componente do objeto que se pretende concretizar.

        exemplos de modelos para operações e organizações

        • modelos com estrutura clássica
          • o modelo descritivo de operações de produção de Elwood S. Buffa;
          • o Diagrama FEPSC(SIPOC)/Six Sigma;
          • os modelos na visão contábil-financeira:
            • de operações (Débito/Crédito)
            • e de organização (Ativo – Passivo – Resultados) ;

        • modelos com estrutura moderna
          • o modelo descritivo de operações de produção do Kanban;
          • o modelo expresso na Figura 7.1 – mapa da atividade semicondutores da Texas Instruments, do livro Reengenharia, de Michael Hammer;

        As palavras e as coisas: conceitos homônimos com significados diferentes




        • 3. dois papéis atribuídos ao homem  com a forma de reflexão que se instaura em nossa cultura depois da descontinuidade epistemológica;
            • raiz  e fundamento de toda empiricidade;
            • elemento do que é empírico.




        • 8. dois conceitos para tempo dependendo do posicionamento do modelo no espectro de modelos e da etapa da operação;
          • tempo calendário em um sistema relativo de anterioridade ou simultaneidade das coisas entre si, (sistema Input-Output) sob o deus Chronos, no pensamento clássico e no pensamento moderno no caminho do Instanciamento da representação;
          • tempo absoluto, em um sistema absoluto sob o deus Kairós – aquele que acontece no interior do ‘Lugar de nascimento do que é empírico‘ lugar em que ‘aquém de toda cronologia ele [o objeto] assume o ser que lhe é próprio‘ 


        [wpforo]

        espaço para discussão de conceitos

        Lista de posts

        Carta ao Professor Christian Dunker

        Carta aos Professores Christian Dunker e Vladimir Safatle coordenadores do Latesfip – Laboratório de Teorias sociais, Filosofia e Psicanálise da USP Prezados Professores  Com a

        Leia mais »

        Psicanálise e etnologia – APC

        V. Psicanálise, etnologia [da psicanálise] “A psicanálise e a etnologia ocupam, no nosso saber, um lugar privilegiado.  Não certamente  porque teriam, melhor que qualquer outra

        Leia mais »

        dez (10) pontos para contextualização entre Prefácio e texto do livro
        'As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciências humanas'

        1. A Forma de Reflexão que se instaura em nossa cultura
        2. Proposição: o bloco padrão genérico e fundamental
        para construção de representações
        3. Princípios organizadores do pensamento de depois da descontinuidade epistemológica de 1775-1825
        4. O Conceito de verbo no pensamento clássico,
        o de antes da descontinuidade epistemológica de 1775-1825
        5. O conceito de verbo no pensamento moderno, o de depois da descontinuidade epistemológica de 1775-1825
        6. As duas sintaxes mencionadas por Foucault no Prefácio
        6.1 A sintaxe que autoriza a construção das frases
        6.2 A sintaxe que autoriza manter juntas
        as palavras e as coisas
        7. O princípio monolítico de trabalho de Adam Smith,
        de 1776
        8. O princípio dual de trabalho de David Ricardo,
        de 1817
        8.1 A importância de David Ricardo,

        Nosso roteiro (Michel Foucault) e nossa inspiração (Humberto Maturana)

        Fale conosco

        O sistema SIPOC/FEPSC

        O ontologia do sistema SIPOC/FEPSC

        Destaque para dois modelos existentes:
        1) LE, o SIPOC (FEPSC) do SixSigma; 2) LD e o Visão da PHD, da PHD Brasil
        e no centro, as diferenças entre eles

        Aquém do objeto

        O diagrama FEPSC (SIPOC) mostrando a estrutura

        diferenças

        Comparação

        Diante do objeto

        A Visão da PHD

        Comparação do modelo SIPOC ou FEPSC – SixSigma(*) com o modelo Visão da PHD(**) do ponto de vista das estruturas respectivas.
        A animação central mostra o que falta – estruturalmente – ao SixSigma para ter a estrutura do modelo da direita.

        (*) Gestão integrada de processos e da tecnologia da informação; capítulo Identificação, análise e melhoria de processos críticos Figura 3.1 Representação da FEPSC, de Roberto Gilioli Rotondaro
        Coordenadores: Fernando José Barbin Laurindo e Roberto Gilioli Rotondaro, Editora Atlas, jan/2006
        (**) A Visão da PHD, da empresa PHD Brasil

        Exemplos de modelos existentes, e muito usados,
        nas diferentes estruturas conceituais

        Aquém do objeto

        Diante do objeto

        Modelos de: operação de produção; e organização típica
        Modelos de: operação contábil/financeira e modelo de organização
        Modelos de: operação de produção do Kanban; e modelo de organização da Reengenharia

        Exemplos de modelos muito conhecidos para operações e para as organizações

        • operação: Operações de produção, de Elwood S. Buffa;
        • organização: adaptação de Organização típica.
        • operação: operação contábil financeira débito e crédito;
        • organização: Ativo, Passivo e Resultados.
        • operação: modelo do Kanban;
        • organização: mapa da reengenharia.

        Desenvolvimento das operações
        por segmento do espectro de modelos

        Aquém do objeto

        Diante do objeto

        Além do objeto

        • no sistema Input-Output; usando uma ordem arbitrariamente escolhida;
        • e com propriedades não-originais e não-constitutivas das coisas, as chamadas ‘aparências’;
        • No sistema correspondente ao que Foucault chama de ‘essa maneira moderna de conhecer empiricidades’, que tem como elemento construtivo padrão fundamental a proposição, da qual herda as categorias de ideias ou elementos de imagem de primeiro nível;
        • e com propriedades sim-originais e sim-constitutivas daquilo que se constitui na existência em decorrência das operações.
        • No sistema formulado no campo das ciências humanas, com modelos constituintes compostos por uma combinação dos modelos constituintes das ciências que integram a região epistemológica fundamental, as ciências da Vida, do Trabalho e da Linguagem.
        • Nexo da operação.

        Veja mais detalhes nas animações que podem ser encontradas nas páginas de detalhe deste tópico.

        Rua Dona Inácia Uchôa, 365
        04110-021 São Paulo SP
        Fone: (11) 5573-2312
        Cel: (11) 97512-6317
        e-mail: srm@projeto-formulador.xyz

        Rua Dona Inácia Uchôa, 365
        04110-021 São Paulo SP
        Fone: 11 5573-2312
        Cel: 11 97512-6317

        Fale conosco

        Rua Dona Inácia Uchôa, 365
        04110-021 São Paulo SP
        Fone: (11) 5573-2312 Cel: (11) 97512-6317
        e-mail: srm@projeto-formulador.xyz

        Modelo descritivo da produção clássico

        Paleta de ideias ou elementos de imagem
        presentes na configuração de pensamento clássico